Geração de emprego formal no Brasil cai 47% em outubro

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 21:20 BRST
 

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA, 23 Nov (Reuters) - A geração de emprego formal no Brasil despencou em outubro 47 por cento em relação ao mesmo mês de 2011, para 66.988 vagas abertas, no pior desempenho mensal do ano, devido ao fraco desempenho dos setores de serviços e construção civil, informou nesta sexta-feira o Ministério do Trabalho.

Em relação a setembro, quando foram criados 150.334 novos empregos, de acordo com dados sem ajustes, a queda foi de 55,4 por cento. Foi o pior resultado para meses de outubro desde 2008, auge da crise internacional, quando foram abertos 61.401 empregos formais, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em outubro do ano passado, foram abertos 126.143 postos.

"Ficamos surpresos porque esperávamos um resultado melhor", afirmou o diretor de Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, Rodolfo Peres Torelly, que projetava abertura líquida de 140 mil vagas no mês.

O resultado líquido também veio aquém do esperado por analistas consultados pela Reuters, cuja mediana previa a abertura de 94 mil novos postos no mês passado. As projeções variam entre 80 mil a 135 mil.

Por conta do mau desempenho de outubro, o governo reduziu a projeção de abertura de emprego formal em 2012 para 1,4 milhão de vagas, ante projeção anterior de 1,47 milhão de vagas.

Se confirmada, será a pior performance anual desde 2009, quando o país criou 995.110 postos. No ano passado, foram abertas 1,566 milhão vagas formais, de acordo com dados sem ajustes.

Torelly explicou que o desempenho ruim do mês passado veio dos setores de serviços e construção civil. A abertura de postos em instituições financeira, em apenas 734, deprimiu todo o setor de serviços, que criou apenas 32.724 vagas, queda de 57,5 por cento sobre outubro de 2011.

Já o de construção civil fechou 8.290 vagas, contra uma abertura de 10.200 postos no mesmo mês do ano passado. Segundo Torelly, isso deveu-se à suspensão de contratos de trabalho em empreiteiras de São Paulo e do Distrito Federal, que preferiram poupar os gastos com mão de obra diante da período mais intenso de chuvas.   Continuação...

 
Funcionários trabalham em construção em Salvador, na Bahia. Com a economia ainda sem mostrar sinais consistentes de recuperação, o governo prevê agora que o Brasil abrirá menos vagas formais neste ano: 1,4 milhão de empregos, ante expectativa anterior de 1,5 milhão. 15/05/2012 REUTERS/Lunae Parracho