Ações no Egito despencam após decreto de presidente
Por Tom Perry e Patrick Werr
CAIRO, 25 Nov (Reuters) - O mercado de ações do Egito despencou neste domingo em seu primeiro dia de abertura desde que a tomada de novos poderes do presidente islamista Mohamed Mursi provocou violência nas ruas e uma crise política, desfazendo os esforços para restaurar a estabilidade depois da revolução do ano passado.
Mais de 500 pessoas ficaram feridas em protestos desde sexta-feira, quando os egípcios despertaram para a notícia de que Mursi havia emitido um decreto ampliando temporariamente seus poderes e blindando suas decisões de uma revisão judicial. Mursi e o judiciário insinuaram um compromisso para evitar uma crise política total.
O Conselho Judicial Supremo disse que o decreto de Mursi deveria se aplicar apenas a "questões soberanas". Embora não tenha especificado o que isso significava, sua declaração, lida na televisão, sugeria que não rejeitava o decreto completamente. Pediu aos juízes e promotores que queriam uma greve que voltassem ao trabalho.
O gabinete de Mursi repetiu as garantias de que as medidas seriam temporárias, e disse que queria dialogar com os grupos políticos.
"Essa declaração é considerada necessária a fim de incriminar os responsáveis pela corrupção, assim como por outros crimes, durante o regime anterior e o período de transição", disse a Presidência em um comunicado.
O ministro da Justiça, Ahmed Mekky, que disse ter algumas reservas sobre o decreto de Mursi, lançou um esforço para fazer a mediação entre Mursi e os juízes.
A queda no mercado de ações de domingo de quase 10 por cento - que foi interrompida apenas por freios automáticos - foi a pior desde o levante que derrubou Hosni Mubarak em fevereiro de 2011.
Imagens de manifestantes entrando em confronto com a tropa de choque da polícia e gás lacrimogêneo pairando sobre a Praça Tahir do Cairo eram uma lembrança inquietante sobre aquele levante. Ativistas estão acampados na praça pelo terceiro dia, bloqueando o trânsito com barricadas improvisadas. Nas proximidades, a tropa de choque e os manifestantes entravam em confrontos intermitentes. Continuação...

