27 de Novembro de 2012 / às 19:18 / 5 anos atrás

MT reduz previsão para milho com atraso da soja e custo em alta

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 27 Nov (Reuters) - O Mato Grosso plantará uma área menor que a esperada na safra de milho 2012/13, mas o cultivo no segundo produtor do cereal no Brasil ainda será recorde, apesar dos riscos do uso de um pacote tecnológico mais barato em meio a custos crescentes.

A avaliação é do analista Cleber Noronha, do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação da agricultura do Estado (Famato), ao comentar os efeitos de um plantio mais lento da soja este ano no maior produtor brasileiro da oleaginosa.

Quase todo o plantio de milho em Mato Grosso é feito após a colheita de soja, a partir de janeiro, e quanto mais tarde ele é realizado, maiores são os perigos das lavouras do cereal enfrentarem uma seca.

"O clima já fez com que o plantio de soja fosse um pouco atrasado em algumas regiões... Isso vai fazer com que diminua janela de plantio (de milho)", disse Noronha.

Após faltar chuva no início do plantio de soja, precipitações abundantes prejudicaram os trabalhos, que agora estão quase todos finalizados.

Segundo dados do Imea revisados recentemente, os produtores de Mato Grosso devem plantar 2,79 milhões de hectares com o cereal em 2012/13, área 4,4 por cento menor que na estimativa anterior, apontou o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea).

Apesar da estimativa de redução na área, a área cultivada com milho ainda será 11,6 por cento superior à do ciclo anterior, e a maior já registrada no Estado, segundo o Imea, diante de conjuntura de preços ainda elevados.

"Com o risco maior e custo se elevando, o produtor tanto vai diminuir área (inicialmente prevista) como outros podem até trocar de pacote tecnológico, pegar uma semente mais barata e diminuir um pouco a adubação", acrescentou.

Noronha disse que agora o Imea vai mensurar se estas notícias de que produtores estão buscando pacotes tecnológicos mais baratos terão impacto mais significativo na produtividade de milho no Estado.

Na última temporada, estimulados pelos preços elevados do milho, quando bateram entre 20 e 22 reais por saca no Médio-norte de Mato Grosso, cerca de 80 por cento da segunda safra foi cultivada com sementes de alta tecnologia.

"A gente veio de um mercado muito favorável, o produtor viu isto e investiu... além de ter tido um clima perfeito", disse, ressaltando que isto ajudou o Estado a registrar produtividade recorde de 104 sacas por hectare em 2011/12. "E isso dificilmente se repetirá neste ano", acrescentou.

Para a atual temporada (12/13), o Imea estima uma produtividade média de 80 sacas por hectare, volume ainda superior à média histórica do Estado de 75 sacas por hectare.

Na avaliação do Imea o período mais forte de plantio fica concentrado entre a segunda quinzena de janeiro e os primeiros quinze dias de fevereiro.

CUSTO EM ALTA

A forte alta no preço de sementes em relação à temporada anterior é o principal motivo para o produtor alterar o pacote tecnológico, ressalta o analista.

Em meio à alta, o peso das sementes no custo de produção nesta temporada é estimado em 23 por cento, em um custo total médio no Estado de 1.754 reais por hectare.

No ciclo anterior, as sementes representaram 19 por cento de um custo médio total estimado em 1.528 reais por hectare.

Segundo Noronha, considerando o valor das sementes de melhor tecnologia, o salto no preço foi de pouco mais de 40 por cento.

Ele explica que os insumos subiram na esteira do aumento dos preços de grãos, mas que produtores locais poderão optar por sementes mais baratas e menor adubação como forma de manter as margens obtidas na safra anterior.

Além da área menor, o impacto desta decisão para diminuir custo e garantir margens poderá ser visto no volume produzido.

Considerando a produtividade média prevista pelo Imea, a safra de milho poderá cair para 13 milhões de toneladas, contra quase 16 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a segunda e principal safra de Mato Grosso em cerca de 14,6 milhões de toneladas em seu relatório mais recente.

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