27 de Novembro de 2012 / às 20:13 / 5 anos atrás

Risco de abismo fiscal nos EUA leva Ibovespa ao vermelho

Por Danielle Assalve

SÃO PAULO, 27 Nov (Reuters) - A cautela prevaleceu nos mercados nesta terça-feira e levou a Bovespa a fechar a sessão em baixa, com as incertezas sobre a situação fiscal dos Estados Unidos ofuscando o otimismo inicial com um acordo para aliviar o fardo da dívida da Grécia.

O Ibovespa caiu 0,86 por cento, a 56.248 pontos, cedendo à fraqueza dos mercados em Nova York. O giro financeiro do pregão foi de 6,3 bilhões de reais, ante média diária de 7,2 bilhões de reais em 2012.

Um acordo na Europa para reduzir a dívida grega e liberar mais recursos emergenciais ao país deu sustentação ao avanço do Ibovespa durante quase todo o pregão --o índice chegou a marcar alta de 1,2 por cento na máxima intradiária.

Mas o mercado virou na hora final do pregão, à medida em que investidores optaram por cautela diante do risco de um abismo fiscal nos EUA --cerca de 600 bilhões de dólares em cortes de gastos e aumentos de impostos que podem entrar em vigor automaticamente em janeiro e jogar o país em recessão.

“O investidor estrangeiro está arredio, um pouco mais cauteloso e isso reflete no nosso mercado”, disse o estrategista do segmento de varejo da Ágora e Bradesco Corretora, José Francisco Cataldo, citando que os estrangeiros respondem por quase 40 por cento do volume negociado na Bovespa.

“A principal preocupação é com os Estados Unidos. O presidente Barack Obama tem um prazo apertado para negociar com o Congresso e evitar um abismo fiscal”, acrescentou.

Em Nova York, o índice Dow Jones tinha queda de 0,51 por cento e o S&P 500 recuava 0,3 por cento às 18h03. Mais cedo, o principal índice europeu de ações fechou em alta de 0,27 por cento.

Por aqui, as petrolíferas pesaram no Ibovespa, com OGX caindo 3,69 por cento, a 4,44 reais, e a preferencial da Petrobras perdendo 1,65 por cento, a 18,51 reais.

As companhias informaram na noite da véspera que a Petrobras vendeu participação de 40 por cento na concessão BS-4, na bacia da Santos, para a petrolífera de Eike Batista, num negócio de 270 milhões de dólares.

Ainda entre as blue chips, a preferencial da mineradora Vale fechou estável, a 35,73 reais.

B2W saltou 17,94 por cento, a 14,00 reais. Sua controladora, a Lojas Americanas subiu 4,23 por cento, a 19,22 reais.

Analistas do Bank of America Merrill Lynch elevaram recomendação para B2W para “compra” e o preço-alvo para 18 reais, de estimativa anterior de 12 reais.

As ações preferenciais classe B da Eletrobras conseguiram registrar sua terceira sessão consecutiva de recuperação, com alta de 3,37 por cento, enquanto a ordinária fechou em queda de 0,44 por cento.

Cesp amargou a maior perda do Ibovespa, com queda de 6,08 por cento, a 17,00 reais, em meio à questão da renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas.

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