Cafeicultor negocia pagar financiamento após alta de preços--fontes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 19:20 BRST
 

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 29 Nov (Reuters) - Produtores de café do Brasil, maior produtor e exportador global da mercadoria, estão negociando com governo federal pagar as parcelas de financiamentos destinados à estocagem, que começam a vencer em dezembro, apenas quando o café subir ao patamar de 400 reais por saca, disseram duas fontes com conhecimento sobre o assunto.

A implantação do mecanismo diminuiria a necessidade de vendas imediatas por parte dos produtores, favorecendo uma sustentação dos preços da commodity, que recentemente atingiram o menor valor em dois anos e meio na bolsa de Nova York.

O preço atual do café Bebida Dura para Melhor, que seria a referência do mecanismo, está em 340 reais por saca, dependendo da praça. Ou seja, se o sistema estivesse em vigor hoje, as parcelas estariam automaticamente prorrogadas.

A ampliação do prazo das parcelas da dívida daria sustentação aos preços, segundo uma das fontes, ligada ao setor produtivo.

Os financiamentos em questão se referem ao programa de estocagem do governo, cujos recursos para a safra 2012/13 deverão somar 1,5 bilhão de reais, dos quais 820 milhões já foram repassados aos agentes financeiros, disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

Os produtores entendem que proposta é viável, pois não gerará impacto orçamentário ao governo, considerando que os recursos para estocagem são vinculados ao Funcafé, um fundo com recursos do setor, embora gerido pelo governo.

Os preços do café registraram forte baixa ao longo deste ano, após o Brasil, o maior produtor e exportador global, colher uma safra recorde.

Na bolsa de Nova York, referencia global do arábica, o café está um pouco acima do menor patamar desde junho de 2010.

Uma fonte do governo disse, também sob condição de anonimato, que a proposta, encaminhada pelos produtores ao Ministério da Agricultura, deverá ser levada para o Ministério da Fazenda, que deverá analisar a questão.

(Por Roberto Samora e Peter Murphy)