Com crise longe do fim, BCE e FMI cobram reformas na zona do euro
Por Daniel Flynn e Leigh Thomas
PARIS, 30 Nov (Reuters) - A crise na zona do euro está longe de terminar, e seus membros precisam consolidar seus orçamentos e forjar uma união bancária para tornar o bloco economicamente mais estável, disseram dirigentes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu na sexta-feira.
Salientando os problemas da zona do euro, dados mostraram que as vendas do varejo na Alemanha e os gastos do consumidor na França caíram mais do que se esperava, e que a inflação teima em se manter na Espanha, provocando aumentos nos gastos previdenciários que complicam ainda mais a situação orçamentária do país.
Mais 173 mil pessoas entraram para a fileira dos desempregados em outubro nos países que têm o euro como moeda. Ao mesmo tempo, a queda na inflação ofereceu um alívio apenas limitado para famílias assoladas pela recessão.
Falando em Paris, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a crise na zona do euro, iniciada há três anos, deve se prolongar no ano que vem. "Ainda não emergimos da crise", disse ele à rádio Europe 1.
"A recuperação na maior parte da zona do euro certamente irá começar no segundo semestre de 2013... É verdade que a consolidação orçamentária acarreta uma contração de curto prazo da atividade econômica, mas essa consolidação orçamentária é inevitável", acrescentou.
Os diretores do BCE realizam na semana que vem sua reunião mensal de política monetária, e a previsão é de que mantenham os juros baixos, em 0,75 por cento ao ano. Economistas estão divididos sobre o comportamento dos juros europeus no ano que vem.
Draghi salientou que o BCE está disposto a contribuir com a solução da crise por meio da compra de volumes potencialmente ilimitados de títulos soberanos, conforme um plano recém-aprovado para a aquisição de títulos. Mas, até que a Espanha solicite ajuda, um pré-requisito para a intervenção do BCE, essa ferramenta não pode ser usada.
Resistindo à intervenção do BCE, o presidente do Bundesbank (Banco Central alemão), Jens Weidmann, disse na quinta-feira que os BCs europeus já fizeram mais do que o suficiente para combater a crise, e que agora cabe aos governos reformarem suas economias e solidificarem seus setores bancários. Continuação...

