Brasil perde peso político e econômico na América Latina

sábado, 1 de dezembro de 2012 13:19 BRST
 

SÃO PAULO, 1 Dez (Reuters) - A folha de viagens da presidente Dilma Rousseff diz muito sobre as prioridades internacionais do Brasil.

Em seus dois primeiros anos no poder, a presidente passou mais da metade de seu tempo de viagem nos Estados Unidos, Europa e China, que juntos respondem por metade de seus mercados internacionais.

E na América Latina? Apenas 30 por cento.

Absorvido por seus problemas econômicos, o Brasil parece não estar aproveitando a falta de interesse dos Estados Unidos na América Latina para afirmar a sua liderança na região.

E as consequências econômicas são claras. As exportações brasileiras para a América Latina caíram 11,3 por cento nos primeiros 10 meses de 2012, o dobro da contração de 5,5 por cento das exportações.

O investimento brasileiro no exterior, tradicionalmente dirigido para os países vizinhos, caiu 34 por cento nos primeiros nove meses do ano.

"As medidas prioritárias da administração de Dilma foram o aumento da competitividade. A ação na América Latina tem sido secundária", disse o consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O brasileiro de energia suave e a influência internacional que emana de sua estatura de potência emergente se desvanecem. E o Brasil pensa menos na região, sua esfera natural de influência.

A perda de influência significa menos negócios para o setor privado brasileiro, boicotando os esforços de um governo que está gastando bilhões de dólares para evitar uma valorização excessiva do real e oxigenar sua indústria com incentivos fiscais.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff e o presidente dos EUA, Barack Obama, se cumprimentam durante Cúpula da Américas em Cartagena, Colômbia. A folha de viagens da presidente Dilma Rousseff diz muito sobre as prioridades internacionais do Brasil. Em seus dois primeiros anos no poder, a presidente passou mais da metade de seu tempo de viagem nos Estados Unidos, Europa e China, que juntos respondem por metade de seus mercados internacionais. 14/04/2012 REUTERS/Kevin Lamarque