3 de Dezembro de 2012 / às 21:19 / 5 anos atrás

Dólar recua com forte intervenção do BC, mas fica acima de R$2,12

Por Danielle Fonseca

SÃO PAULO, 3 Dez (Reuters) - O dólar fechou em leve queda ante o real nesta segunda-feira mesmo após fortes atuações do Banco Central, que realizou dois leilões de swap cambial tradicional e dois leilões de venda conjugados com compra de dólares.

As operações, que ajudam a dar liquidez para o mercado no final do ano, ainda não foram suficientes para os investidores concluírem qual seria o novo teto informal que a autoridade monetária estaria de olho. Só têm certeza de que está havendo um deslocamento para cima desse limite informal, até então, de 2,10 reais.

A moeda-norte-americana caiu 0,48 por cento nesta sessão, encerrando a 2,1205 reais na venda. A divisa atingiu a máxima de 2,1395 reais logo no início do pregão, já a mínima foi de 2,0971 reais --quando caiu 1,58 por cento-- depois que o BC fez os dois leilões de swap tradicional.

Segundo dados da BM&F, o volume negociado foi de 2,857 bilhões de dólares.

“O mercado tem ficado mais comprador, acredito que é a necessidade em fazer hedge e não ficar descoberto”, disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Após a moeda atingir quase 2,14 reais no início do pregão, o BC anunciou o primeiro leilão de swap cambial tradicional --equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro. A operação, que colocou no mercado 21.800 contratos da oferta total de até 40 mil contratos com vencimento em 2 de janeiro de 2013-- puxou imediatamente a cotação para baixo.

Pouco depois, o BC anunciou mais um leilão de swap tradicional com a mesma data, ampliando a queda do dólar ainda mais. Desta vez, a autoridade monetária vendeu a oferta total de 20 mil contratos.

Os dois leilões desta segunda-feira tiveram o objetivo de substituir os 37.500 contratos de swap cambial reverso --que equivalem a uma compra de dólares no mercado futuro--, que também vencem no dia 2 de janeiro, apliando ainda mais a liquidez nos mercados.

O BC já havia feito uma operação similar há duas semanas, quando substituiu parcialmente contratos de reverso por tradicionais que venceram nesta segunda-feira.

Na ampla visão do mercado, prevalece a interpretação de que o governo quer o dólar mais valorizado numa tentativa de aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Mas analistas afirmam que ainda é cedo para definir um patamar específico.

“Ainda não dá para saber o quanto para cima o governo vai querer ver a moeda”, disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, acrescentando que os números de atividade doméstica têm sugerido que o governo irá deixar o dólar ficar mais forte.

Dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados na sexta-feira mostraram que a economia brasileira cresceu apenas 0,6 por cento no terceiro trimestre deste ano, sobre o período anterior, muito abaixo do esperado pelo mercado.

LIQUIDEZ DE FIM DE ANO

Durante a tarde, no entanto, o dólar reduziu as perdas ante o real, com o mercado ameaçando testar novamente o BC para saber qual seria o esse novo teto informal. Segundo operadores, o movimento também mostrou a preferência dos investidores pelas posições compradas em dólar, a fim de se protegerem neste final de ano.

Quando o dólar registrava queda de cerca de 0,50 por cento, o BC anunciou dois leilões de venda de dólares conjugados com leilões de compra de dólares no valor de até 5 bilhões de dólares e em ambos houve aceitação de propostas pelo mercado, indicando que a liquidez estava reduzida.

O BC, no entanto, não informou quanto colocou no mercado. Apenas divulgou que, no primeiro leilão de venda --conjugado com leilão de compra de dólares que terá liquidação no dia 4 de janeiro de 2013--, a taxa de corte foi de 2,122450 reais. Já o segundo leilão teve taxa de corte de 2,132400 reais e é conjugado com um leilão de compra com liquidação no dia 4 de fevereiro de 2013.

A última vez que a autoridade monetária fez um leilão com essas características, com o mercado aceitando as propostas, foi em abril de 2009, auge da crise internacional. No dia 15 de dezembro do ano passado, o BC também anunciou leilão conjugado, mas não foram aceitas propostas.

Operadores lembram que, normalmente, pode haver falta de dólares, no final do ano, já que muitas filiais remetem lucros e dividendos para as suas matrizes no exterior e muito bancos também podem ter dificuldades para acessar linhas no exterior.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, já tinha alertado que a autoridade monetária poderia agir no mercado de câmbio para injetar liquidez neste final de ano.

“Ao final do ano há tradicionalmente uma oferta menor de dólares e uma demanda maior, num movimento que tende historicamente a se reverter logo no inicio do ano. No ano passado não foi preciso (intervir), mas se preciso for interviremos também na questão de provisão temporária de liquidez na virada do ano”, disse ele no final de novembro.

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