ANÁLISE-Setor de celulose deve melhorar em 2013, mas riscos persistem

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 20:59 BRST
 

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 30 Nov (Reuters) - O setor de celulose deverá ver uma melhora nas exportações e nos preços da commodity em 2013, assim como níveis de endividamento de suas principais empresas no Brasil, mas ainda não o suficiente para trazer alívio ao segmento.

Segundo analistas, a expectativa é de que China e Estados Unidos aumentem importações da commodity, mas a demorada recuperação da Europa, o principal mercado da celulose brasileira, ainda irá pesar sobre o setor. Além disso, a entrada de novas capacidades poderá pressionar os preços da tonelada.

"O cenário para 2013 é melhor. Os fatores que pressionaram o mercado em 2012 podem até estar presentes em 2013, mas com menor força", afirmou o economista Wemerson França, da LCA Consultores.

Além da crise da dívida na zona do euro, a lenta recuperação econômica dos EUA e a desaceleração na China prejudicaram as exportações da celulose brasileira, que acumulam queda de 0,8 por cento no acumulado deste ano até outubro, ante o mesmo período de 2011, segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

No segundo semestre deste ano, a China retomou as compras de celulose, o que possibilitou a elevação de preços pelas fabricantes Fibria e Suzano em outubro. Para França, essa retomada chinesa deve continuar em 2013, o que guiará uma melhora no setor, mas que pode não ser suficiente para produzir uma alta significativa nos preços da commodty.

"Na China o pior já passou. O fator que está negativo e ainda estará presente é a Europa. Esperávamos que a situação melhorasse em 2013, mas está demorando", afirmou ele. "Quem mais conta (para as exportações de celulose do Brasil), não melhora".

Para o economista, a crise na região europeia irá pressionar também os preços da tonelada do insumo. "A gente espera estabilidade no preço (em 2013 vs 2012), mas se não fosse a Europa, seria melhor."

Já o analista Victor Penna, do BB-Investimentos, acredita que a tendência para os preços é de queda, devido à entrada em operação de novas fábricas, elevando a capacidade de produção do setor.   Continuação...