CENÁRIOS-Leilões testam apetite de elétricas por novos investimentos
Por Anna Flávia Rochas
SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - Os primeiros leilões de energia após o complexo processo de renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas serão um teste para medir o apetite das empresas do setor por novos investimentos, num momento em que ainda reavaliam suas estratégias.
As companhias afetadas pela renovação das concessões que venceriam de 2015 a 2017 e que já têm como estratégia participar dos certames devem manter-se nas disputas, mas especialistas consideram que elas tendem a ser mais cautelosas --e os lances praticados podem refletir isso.
Nas licitações, vence a companhia que se dispuser a cobrar a menor tarifa pela energia, no caso de usinas de geração, e que aceitar a menor receita para linhas de transmissão da eletricidade.
Para as empresas que renovaram as concessões, ainda existem incertezas quanto aos valores das indenizações a receber e o impacto nos balanços. Já as que não renovaram e querem manter participação no mercado ainda estão revendo suas estruturas.
"De um modo geral, o rescaldo vai ser bastante intenso... Os fundamentos econômicos do setor elétrico foram profundamente alterados e as consequências ainda não estão totalmente claras", disse o consultor da Tempo Giusto e ex-executivo do setor elétrico, Eduardo Bernini.
A Eletrobras, principal atingida pela renovação onerosa das concessões, fará corte de custos para se adequar à nova realidade, e especialistas avaliam que terá que ser mais rigorosa ao competir por projetos em leilões.
O analista Gabriel Laera, do Espírito Santo Investment Bank, pondera que a Eletrobras receberá um injeção de capital mínima de 14 bilhões de reais, por investimentos não depreciados, como resultado da renovação antecipada das concessões.
"A minha visão é que qualquer argumento de que a Eletrobras perde o fôlego financeiro pode ser frustrado por uma empresa que se vê capitalizada em pelo menos 14 bilhões de reais", disse. Continuação...

