5 de Dezembro de 2012 / às 19:13 / em 5 anos

CENÁRIOS-Leilões testam apetite de elétricas por novos investimentos

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - Os primeiros leilões de energia após o complexo processo de renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas serão um teste para medir o apetite das empresas do setor por novos investimentos, num momento em que ainda reavaliam suas estratégias.

As companhias afetadas pela renovação das concessões que venceriam de 2015 a 2017 e que já têm como estratégia participar dos certames devem manter-se nas disputas, mas especialistas consideram que elas tendem a ser mais cautelosas --e os lances praticados podem refletir isso.

Nas licitações, vence a companhia que se dispuser a cobrar a menor tarifa pela energia, no caso de usinas de geração, e que aceitar a menor receita para linhas de transmissão da eletricidade.

Para as empresas que renovaram as concessões, ainda existem incertezas quanto aos valores das indenizações a receber e o impacto nos balanços. Já as que não renovaram e querem manter participação no mercado ainda estão revendo suas estruturas.

“De um modo geral, o rescaldo vai ser bastante intenso... Os fundamentos econômicos do setor elétrico foram profundamente alterados e as consequências ainda não estão totalmente claras”, disse o consultor da Tempo Giusto e ex-executivo do setor elétrico, Eduardo Bernini.

A Eletrobras, principal atingida pela renovação onerosa das concessões, fará corte de custos para se adequar à nova realidade, e especialistas avaliam que terá que ser mais rigorosa ao competir por projetos em leilões.

O analista Gabriel Laera, do Espírito Santo Investment Bank, pondera que a Eletrobras receberá um injeção de capital mínima de 14 bilhões de reais, por investimentos não depreciados, como resultado da renovação antecipada das concessões.

“A minha visão é que qualquer argumento de que a Eletrobras perde o fôlego financeiro pode ser frustrado por uma empresa que se vê capitalizada em pelo menos 14 bilhões de reais”, disse.

As condições de renovação para o setor de geração não agradaram parte das companhias: Cesp, Cemig, Celesc e Copel não renovaram contratos.

Dessas, apenas a primeira --controlada pelo governo paulista-- não tem intenção de ampliar operações no curto prazo.

A Cemig já tinha uma estratégia de expansão em geração de energia. Executivos da estatal mineira afirmaram que a companhia mantém a intenção de continuar a elevar sua participação em todos os segmentos do setor elétrico.

A paraense Copel, cuja decisão de não renovar contratos de quatro usinas foi considerada por analistas do Barclays como “um sinal de bons padrões de governança corporativa”, se prepara para participar do leilão A-5 marcado para 14 de dezembro.

“Mantemos o mesmo plano estratégico de participar, vamos estar presentes”, disse o presidente da Copel, Lindolfo Zimmer, citando interesse na hidrelétrica Sinop e em usinas eólicas.

A catarinense Celesc pretende agora estruturar parcerias para disputar novos projetos de energia eólica, solar e pequenas centrais hidrelétricas (PCH) --mas ainda não para o leilão A-5 da semana que vem.

“Vamos tocar essas usinas (não renovadas) até 2017, quando perdemos a concessão e pretendemos até lá ter uma estrutura para participar do leilão delas”, disse o diretor financeiro da Celesc, André Rezende.

TRANSMISSÃO

Na área de transmissão de energia, representantes do setor consideram que a mudança na regra de renovação que permitiu a indenização por investimentos até maio de 2000 atendeu ao principal pedido das companhias, melhorando o cenário para o segmento.

“Isso trouxe um capital adicional para as transmissoras que reequilibra as coisas”, afirmou o presidente da associação das transmissoras de energia (Abrate), José Cláudio Cardoso, que não acredita em redução do interesse no leilão de 19 de dezembro.

Serão licitadas instalações que vão ajudar a escoar a energia a ser produzida pela hidrelétrica de Belo Monte (PA). Ao todo, serão oito lotes com investimento estimado de 4,3 bilhões de reais na construção.

Cteep, Eletrobras e Cemig foram as principais afetadas pela renovação de contratos de transmissão, e as três optaram por prorrogar os contratos.

O presidente da Cteep, Cesar Ramirez, disse que a empresa deve participar do leilão de transmissão daqui a duas semanas.

O economista Roberto Brandão, do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), considera que os fortes deságios vistos em leilões passados de transmissão possam ser reduzidos no leilão.

Ele lembra, porém, que empresas não afetadas pela renovação das concessões, como os chineses da State Grid, por exemplo, continuam com apetite para investir em um setor que continua sendo um “bom negócio”.

“É natural se esperar que o ritmo de investimentos desacelere pelo menos durante um período... Mas o setor elétrico não deixou de ser atrativo”, avaliou.

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