5 de Dezembro de 2012 / às 19:13 / 5 anos atrás

CENÁRIOS-Para bancos públicos, eficiência também é a palavra da hora

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - Após anos crescendo mais rápido que seus concorrentes do setor privado, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal começam a enviar sinais de que querem melhorar sua eficiência, embora os frutos desse processo devam demorar para ser colhidos.

Ganhar eficiência virou a palavra da hora entre instituições financeiras, especialmente entre as que mais acusam os impactos de queda dos spreads e das tarifas, movimento liderado justamente pelos bancos estatais.

Assim, nas últimas semanas, assuntos como revisão de processos, investimentos maiores em tecnologia e até redução de pessoal começaram a aparecer nos planos de BB e Caixa para a partir de 2013, numa receita semelhante à usada por seus rivais para proteger os lucros.

“Não é verdade que temos mais dificuldades de cortar custos do que nossos concorrentes”, disse recentemente o gerente de Relações com Investidores do BB, Gustavo Sousa, num esforço para mostrar que o banco tem ferramentas para compensar a piora recente em seu índice de eficiência.

A Caixa, entre outras medidas, contratou duas assessorias internacionais para ajudá-la para ganhar agilidade em 30 processos internos de originação de crédito. “Em 2013, os resultados começarão a aparecer”, disse à Reuters o vice-presidente de Finanças da Caixa, Marcio Percival.

O índice de eficiência é relação entre despesas administrativas e receitas --portanto, quanto menor, melhor. Nesse quesito, BB e Caixa terão que se apressar, porque estão atrás, bem atrás, em relação às instituições privadas.

O Itaú Unibanco, que prometeu no fim de 2011 uma melhora de 7 pontos percentuais em dois anos, vem eliminando redundâncias e foi o único entre os quatro maiores do país a reduzir o quadro de funcionários desde 2009.

O Bradesco, o mais adiantado, conseguiu manter o melhor índice entre os grandes, mesmo tendo inaugurado mais de mil agências em 2011.

E o Santander Brasil, que finalmente vem colhendo os resultados da integração com o Banco Real, tem frisado o tema eficiência já há alguns trimestres.

“Estamos trabalhando com foco em eficiência como parte de um ‘novo normal’”, disse recentemente o presidente-executivo do Santander Brasil, Marcial Portela.

Já Caixa e BB, cujos ativos dobraram de tamanho desde 2008, vêm registrando piora. O BB está marcando passo.

Desde 2009, teve uma alta acima da média em despesas não administrativas. Isso em parte reflete vários investimentos (Banco Patagônia, Banco Postal e Mapfre), que ainda não estão maduros e que têm sinergias a serem capturadas, disse à Reuters o diretor de Controladoria do banco, Sandro Kohler.

Para analistas, controle de custos deve ser um dos principais guias para desempenho das ações de bancos na bolsa. Nesse sentido, 11 dos 18 analistas que cobrem Itaú têm recomendação de compra para o papel, citando otimismo com ganho de eficiência.

Em contraste, 10 de 19 analistas têm recomendação de manter ou vender para as ações do BB, mostrando justamente a preocupação com a capacidade do banco de cortar custos.

REDUÇÃO DE PESSOAL?

De maneira geral, os bancos brasileiros estão devendo em matéria de eficiência na comparação com seus pares globais.

Segundo levantamento do Goldman Sachs, as despesas do setor no país representaram 6 por cento dos ativos no ano passado, ante 3 por cento na média dos Estados Unidos e de 1,5 por cento na Europa.

No caso dos bancos estatais, o desafio parece ser dobrado.

Sob marcação cerrada do governo federal para ofertar mais crédito e agora tendo que responder ao mercado por eficiência, eles tentam mostrar que são capazes de crescer cortando custos, até mesmo onde menos se espera: na folha de pagamento.

Embora não seja listada em bolsa como o BB, a Caixa fez sua primeira captação de recursos no mercado internacional em outubro --assim, o banco tem credores externos atentos aos seus resultados.

Sem alarde, a Caixa, abriu recentemente um programa de incentivo à aposentadoria. O banco tem a menor geração de receita por funcionário, segundo levantamento da Thomson Reuters, e o dobro da média de funcionários por agência do que a média combinada de Itaú, BB e Bradesco.

O BB já avisou que também pode reduzir pessoal.

“Não é verdade que não podemos reduzir o quadro de funcionários”, disse o gerente de Relações com Investidores do BB, em encontro com analistas, afirmando que dos 114,5 mil funcionários que o banco tinha no fim de setembro, 16 mil, ou mais de 10 por cento do total, estão perto da aposentadoria.

Em ambos os casos, o processo não deve ser rápido, como mostram as experiências de Itaú e Santander, que passaram anos às voltas lidando com as dores da fusão com o Unibanco e o Banco Real, respectivamente, antes de começarem a colher os frutos do esforço para ganhar sinergia e maior eficiência.

“É uma curva de aprendizado”, disse Percival, da Caixa, ressaltando que a instituição tem especifidades, como gestora do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outros programas governamentais.

“Os resultados serão alcançados ao longo dos próximos anos”, disse Kohler, do BB.

O BB, inclusive, avalia passar a tornar públicas suas metas de eficiência, que atualmente circulam apenas internamente.

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