Setor de suínos vê melhora na oferta de milho só em meados de 2013

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012 19:07 BRST
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 6 Dez (Reuters) - O abastecimento de milho para a suinocultura do Brasil só deve voltar a se normalizar em meados de 2013, com a chegada do cereal de segunda safra, já que no cultivo de verão a preferência dos produtores foi pela soja, disse nesta quinta-feira o presidente da associação que reúne os criadores.

"O primeiro semestre já está comprometido, porque no (cultivo de) verão todo mundo vai para a soja... O abastecimento de milho só se regulariza a partir de junho, julho, quando começa a entrar (o milho) safrinha", disse Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos a jornalistas.

Lopes, que participou de conferência reunindo representantes do setor em São Paulo, alertou que o governo precisa pensar uma política para garantir o abastecimento de milho e soja para o setor a fim de não comprometer a competitividade do setor.

Neste ano, os produtores de proteína animal --especialmente criadores de aves e suínos concentrados no Sul do país-- viram os preços dos insumos dispararem após quebra da safra de grãos no Sul do país, por conta do clima seco no início do ano.

Embora o Brasil tenha tido uma safra recorde de milho, o maior volume da produção ficou concentrado no Centro-Oeste do país, distante das áreas de criação de aves e suínos na região Sul.

Em 2012 também houve volume recorde de exportações de milho , deixando os preços internos alinhados com as elevadas cotações internacionais.

Lopes afirma que os preços do milho, principal insumo da ração, seguem elevados. Como exemplo, diz ele, no Nordeste a saca de 60 kg sai por até 50 reais e no Rio Grande do Sul, importante produtor, a safra está sendo adquirida por entre 38 a 39 reais.

Tal cenário foi agravado, segundo ele, pela falta de caminhões para transportar os grãos para áreas com déficit de oferta, quando o governo pensou em recorrer ao exército para escoar o produto até estas áreas mais afetadas.   Continuação...