ANÁLISE-Endividado, consumidor deve gastar menos no Natal de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012 19:26 BRST
 

Por Vivian Pereira

SÃO PAULO, 11 Dez (Reuters) - Período mais importante para o varejo brasileiro, o Natal deve ser morno em vendas este ano, em meio a um cenário de maior cautela dos consumidores, que estão contendo gastos e priorizando a liquidação de dívidas.

Após sofrer desaceleração generalizada na primeira metade do ano, o consumo recuperou fôlego no segundo semestre, impulsionado por medidas de incentivo adotadas pelo governo, como menores juros e maior oferta de crédito.

Tal recuperação, contudo, tem sido limitada pela combinação de endividamento das famílias, inadimplência em patamares elevados e uma boa dose de cautela. Segundo a Serasa, a inadimplência do consumidor cresceu mais de 15 por cento nos primeiros 10 meses do ano em relação ao mesmo período de 2011.

"Os níveis de endividamento e de comprometimento de renda do consumidor continuam em patamares elevados, o que sinaliza que a capacidade das famílias de assumir novos financiamentos permanece limitada. A inadimplência das famílias estacionou em patamar elevado", assinalou a equipe da consultoria LCA.

Segundo o indicador de atividade do comércio da Serasa Experian, o movimento dos consumidores nas lojas do país caiu 2 por cento em novembro ante outubro, com ajustes sazonais.

Uma pesquisa feita em novembro pela consultoria Deloitte sobre expectativas para o Natal apontou que os consumidores do país se consideram em melhor situação financeira do que em 2011, mas mesmo assim serão mais prudentes nas compras de final de ano.

Metade dos 750 respondentes querem gastar menos em presentes neste final de ano e o valor médio por compra de "lembrancinhas" deve ficar entre 10 e 30 reais. Em 2011, a pesquisa mostrou que os consumidores pretendiam gastar entre 50 a 99 reais, na média.

"Para parte dos brasileiros (39 por cento), especialmente os das classes C, D e E, o 13o salário servirá para quitar dívidas e outros 25 por cento querem aproveitar o dinheiro para economizar, sobretudo as classes A e B", afirmou a Deloitte no levantamento.   Continuação...