BC vê rombo recorde de US$65 bi nas contas externas do país em 2013

terça-feira, 18 de dezembro de 2012 15:24 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 18 Dez (Reuters) - Com saldo comercial mais tímido e remessas de lucros e dividendos bem mais robustas, o Banco Central projeta que o país terá em 2013 o maior rombo proporcional ao PIB nas contas externas em mais de uma década, mas ainda financiado --mesmo que sem folga-- pelo Investimento Estrangeiro Direto (IED).

Nas contas do BC, o déficit em transações correntes --por onde passam as operações do país com o exterior, como comércio e investimentos-- será de 65 bilhões de dólares no próximo ano, ou 2,74 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Se confirmado, será o pior resultado desde 2001, quando ficou em 4,19 por cento do PIB.

"A ampliação do déficit em transações correntes é o que ocorre em ciclos de expansão da economia: aumentam gastos com viagens, diminui o saldo da balança comercial", comentou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Os itens que mais influenciaram a projeção foram a previsão de superávit comercial de apenas 17 bilhões de dólares em 2013, abaixo dos 19 bilhões de dólares esperados para 2012, quando o déficit total da conta corrente do país deve ficar em 52,5 bilhões de dólares, ainda segundo o BC.

Já as remessas de lucros e dividendos chegarão a 30 bilhões de dólares em 2013, um salto de quase 27 por cento sobre o resultado esperado para este ano, de 23,7 bilhões de dólares. Os gastos líquidos de brasileiros em viagens internacionais também pesarão mais sobre a conta no próximo ano, com 16,3 bilhões de dólares, acima dos 15,5 bilhões de dólares esperados para 2012.

Para Maciel, a estimativa de déficit para 2013 reflete a perspectiva de maior crescimento econômico no próximo ano, uma vez que aumentam as importações e melhoram os ganhos das empresas. "Quando se tem economia com desempenho melhor, as empresas auferem mais lucros e remetem".

O mercado acredita que o PIB crescerá 3,4 por cento em 2013, segundo pesquisa Focus do próprio BC, melhor do que o 1 por cento esperado para este ano.

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