Asmussen opõe-se a compra de títulos pelo BCE sem cumprimento de condições

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 11:25 BRST
 

Por Paul Carrel

FRANKFURT, 19 Dez (Reuters) - A autoridade do Banco Central Europeu (BCE) Joerg Asmussen afirmou querer que o BCE pare de comprar títulos soberanos se o novo programa Transações Monetárias Diretas (OMT, na sigla em inglês) for ativado e se o país em questão não cumprir as condições acertadas.

A Espanha é o país mais provável de se beneficiar primeiro da intervenção do BCE com o programa de compra de títulos OMT, mas Madri tem que buscar ajuda do fundo de resgate da Europa antes de o banco central agir.

Tal ajuda viria com condições --reformas e metas orçamentárias--, mesmo se em tal plano de ajuda for acertado que o BCE não pode tecnicamente ser obrigado a comprar títulos do país.

"Não há automatismo", disse Asmussen a jornalistas em jantar com a imprensa internacional em Frankfurt na noite de terça-feira.

"Se nós estivermos na situação (de ativar o OMT) e o país não cumprir mais as condições, eu serei contra a continuidade das compras de títulos", disse ele.

O BCE incluiu uma forte dose de condicionalidades no OMT depois de ter sido prejudicado por um plano de compra de títulos anterior no ano passado --o Programa de Mercado de Ativos (SMP, na sigla em inglês). O BCE comprou títulos italianos e espanhóis, e o ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, recuou das promessas de reformas que havia feito para conseguir a intervenção do BCE poucos dias depois de ter assumido os compromissos.

Os comentários de Asmussen dirige-se às críticas ao OMT, principalmente de seu país natal Alemanha, que teme que o BCE continuará comprando títulos mesmo se o país não cumprir as condições acertadas. O presidente do Bundesbank, banco central da Alemanha, Jens Weidmann, ficou sozinho no BCE na oposição ao programa.

Sobre política monetária, Asmussen minimizou a perspectiva de mais cortes na taxa de depósito do banco central --atualmente em zero.

"Eu sou muito relutante a fazer isso", disse ele, acrescentando que "nossa política (monetária) é bastante acomodativa."