BRASIL 13/14-Intervencinismo do governo deve reforçar papel do setor privado

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012 16:21 BRST
 

(A Reuters publica uma série de matérias especiais sobre as perspectivas para o Brasil em 2013 e 2014)

Por Patrícia Duarte e Tiago Pariz

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 21 Dez (Reuters) - O pesado e disseminado perfil intervencionista do governo Dilma Rousseff, que ficou evidente na primeira metade do seu governo, não vai mudar nos próximos dois anos. Disso, ninguém duvida.

Mas agentes econômicos, e muitas vozes dentro da própria equipe da presidente, alertam para a necessidade de que essa "mão pesada" crie agora condições para que o setor privado consiga assumir o papel de condutor da economia brasileira com as próprias pernas, com o foco em investimentos.

Para tanto, avaliam que os grandes projetos de infraestrutura tenham de sair do papel e que algumas pequenas reformas devam ocorrer, sobretudo no campo tributário, como a unificação do ICMS, já em negociação com os governadores.

"Crescimento mais forte com taxas sustentáveis podem ser possíveis apenas com mudanças estruturais e mudanças nas instituições na maneira de se implementar as políticas", afirmou o diretor para América Latina da Moody's Analytics, Alfredo Coutiño

Os investimentos em produção são um dos principais pontos fracos da economia brasileira que, em 2012, deve crescer apenas ao redor de 1 por cento, ainda pior do que já fraco desempenho do ano passado, quando cresceu 2,7 por cento.

Dilma, conhecida no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a "mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)", assumiu o posto mais alto do país em 2011 e, de lá para cá, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida do investimento, ficou estagnada perto do patamar de 18 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ainda distante dos quase 25 por cento tidos como essenciais para a atividade.

A crise internacional atingiu em cheio a atividade brasileira, sobretudo o setor industrial e, para combater os reflexos negativos, o governo adotou inúmeras medidas de estímulo à atividade econômica, como desonerações fiscais de 45 bilhões de reais só neste ano e redução da Selic à mínima histórica de 7,25 por cento ao ano.   Continuação...

 
Vista de torres e cabos de alta tensão que transportam eletricidade ao longo do Estado do Pará na Bacia Amazônica, próximo a Marabá. 30/03/2010 REUTERS/Paulo Santos