BRASIL 13/14-Montadoras mostram confiança, mas veem riscos à frente
(A Reuters publica uma série de matérias especiais sobre as perspectivas para o Brasil em 2013 e 2014)
Por Alberto Alerigi Jr.
SÃO PAULO, 21 Dez (Reuters) - O setor automotivo ingressa em 2013 numa situação mais positiva que em 2012, com estoques controlados, inadimplência dando sinais de trégua, crescimento do país começando a acelerar e um novo regime automotivo que contém importações e força mais investimento em produção local.
Se por um lado as dificuldades de 2012 --que levaram o governo a reduzir impostos e a incentivar financiamentos para a aquisição de veículos-- ficaram para trás, os esperados problemas de ociosidade devem ficar apenas para 2014 em diante.
A expectativa oficial da indústria responsável por 23 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país é de renovação de recorde de vendas em 2013, pelo sétimo ano consecutivo, para entre 3,94 milhões e 3,98 milhões de veículos, uma alta de 3,5 a 4,5 por cento sobre 2012.
O setor ainda deve passar por uma recuperação de produção, com alta de 4,5 por cento, para 3,51 milhões de unidades, ante queda de 1,5 por cento em 2012, o primeiro recuo desde 2002.
Mesmo com a expectativa de crescimento em 2013, pode haver dificuldades para a venda de veículos leves à frente, devido à antecipação de compras causada pelo desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor.
"O problema é que quanto mais tempo o governo mantém o desconto no IPI, mais ele rouba demanda do futuro", disse o analista do setor automotivo latino-americano da consultoria internacional IHS, Guido Vildozo.
O IPI menor --o remédio usado para incentivar as vendas em 2012-- tem cada vez menos efeito e não será suficiente sozinho para incentivar as vendas em 2013, segundo analistas, que consideram que o desempenho do setor dependerá muito mais da retomada da economia que do amparo de incentivos provisórios do governo. Continuação...

