26 de Dezembro de 2012 / às 20:12 / 5 anos atrás

BC faz 2 leilões, dólar cai mais de 1% e volta ao patamar de R$2,05

Um brasileiro troca reais por dólares numa casa de câmbio no centro do Rio de Janeiro. O dólar caía mais de 1 por cento nesta quarta-feira e voltava ao patamar de 2,05 reais após forte atuação do Banco Central num dia de baixo volume após o feriado de Natal, de olho na inflação, segundo avaliação de operadores. 4/08/2003 REUTERS/Bruno Domingos

SÃO PAULO, 26 Dez (Reuters) - O dólar caía mais de 1 por cento nesta quarta-feira e voltava ao patamar de 2,05 reais após forte atuação do Banco Central num dia de baixo volume após o feriado de Natal, de olho na inflação, segundo avaliação de operadores.

Pela manhã, a autoridade monetária realizou dois leilões de swap cambial tradicional --que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro--, derrubando ainda mais a cotação da moeda norte-americana, que já caía ante o real. Ainda mais cedo, o BC já havia realizado, como tem feito nos últimos dias, mais um leilão de venda de dólares com compromisso de recompra.

Às 12h55, a moeda norte-americana caía 1,34 por cento, para 2,0515 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o volume negociado estava em torno 1,270 bilhão de dólares.

“O BC quer o dólar em torno de 2,05 reais, já que o mercado estava muito calmo e não haveria necessidade dele atuar”, disse o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

No total, o BC vendeu 37 mil contratos de swap cambial tradicional nos dois leilões que realizou nesta manhã, ofertando até 40 mil contratos em casa operação, todos com vencimento em 1º de fevereiro de 2013. Neste mês, não há vencimentos de swap.

No dia 7 de dezembro passado, após o fechamento do mercado de câmbio, o BC havia feito pesquisa de demanda nas mesas de câmbio para leilão de swap tradicional, mas não chegou a realizá-lo. A última vez em que efetivamente em fez leiloes deste tipo foi no dia 3 de dezembro, realizando também duas operações.

Na avaliação do mercado, o BC intensificou sua atuação com receio de impacto mais forte do câmbio nos preços no ano que vem. A inflação ainda tem rodado em patamares elevados e há fatores que podem pressionar ainda mais 2013, como um aumento de preços de combustíveis.

“O BC viu que o câmbio perto de 2,10 é nefasto para a inflação, tendo em vista que volume de importações brasileiras é elevado”, disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Em dezembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial no país, subiu 0,69 por cento, maior avanço desde maio de 2011 (+0,70 por cento), ante alta de 0,54 por cento em novembro. Com isso, fechou o ano com avanço de 5,78 por cento, acima do centro da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA.

O governo já vinha tomando medidas que facilitam a entrada de dólares no país, além do BC ter realizado uma série de leilões de venda de dólares conjugados com compra nos últimos dias. Esses leilões, chamados de “leilões de linha” dão maior liquidez para o mercado no final do ano, período que costuma ter maior escassez de dólares.

Nesta sessão, o BC também realizou um leilão conjugado, com recompra para o dia 1º de março de 2013 e taxa de corte de 2,096950 reais.

Analistas ainda lembraram as recentes declarações do diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, de que havia “um pouco de gordura” na taxa de câmbio no momento. Na ocasião, o dólar estava sendo negociado pouco acima de 2,08 reais na venda.

Desde meados deste ano, o mercado entende que o BC firmou uma banda informal no câmbio, com o dólar entre 2 e 2,10 reais, para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior em meio a um cenário de grande liquidez internacional e que poderia atrair cada vez mais moedas estrangeiras para o país e empurrar o dólar para baixo.

Neste final de ano, no entanto, com a demanda maior de dólares e também declarações de autoridades de que o governo estaria disposto a aceitar cotações maiores levaram o dólar acima de 2,10 reais. Nas últimas semanas, no entanto, o BC passou a atuar com mais força no mercado para reverter esse movimento de alta.

Reportagem de Danielle Fonseca

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