27 de Dezembro de 2012 / às 20:27 / em 5 anos

Parlamentares dos EUA tentam acordo de última hora sobre "abismo fiscal"

Por David Lawder e Alistair Bell

Principal republicano no Senado controlado pelos democratas, Mitch McConnell, é visto em Washington durante coletiva de imprensa. Para evitar que os Estados Unidos caiam num "abismo fiscal", parlamentares norte-americanos marcaram sessão do Congresso um dia antes do aumento automático de impostos para a maioria dos trabalhadores norte-americanos. 18/12/2012 REUTERS/Yuri Gripas

BRASÍLIA, 27 Dez (Reuters) - Para evitar que os Estados Unidos caiam num “abismo fiscal”, parlamentares norte-americanos marcaram sessão do Congresso um dia antes do aumento automático de impostos para a maioria dos trabalhadores norte-americanos.

Líderes republicanos na Câmara dos Deputados disseram a seus colegas para voltar a Washington para sessão na noite de domingo, após as festividades do Natal, caso precisem votar medidas orçamentárias.

Isso deixa a porta aberta para uma solução de último minuto a fim de evitar que entre em vigor um grande aumento de impostos a partir de 1 de janeiro e massivos cortes de gastos no dia 2, uma combinação avaliada em 600 bilhões de dólares, o que poderá levar o país de volta à recessão.

Mas os Republicanos e Democratas permaneciam divididos, particularmente sobre os planos para aumentar os impostos aos norte-americanos mais ricos para ajudar a fechar o déficit orçamentário do país.

“Felizmente, ainda há tempo para um acordo de algum tipo que salve os contribuintes de uma crise econômica totalmente evitável”, disse no plenário o principal republicano no Senado controlado pelos democratas, Mitch McConnell.

As bolsas norte-americanas reduziram as perdas após a notícia de que haverá uma sessão no Congresso no domingo, com investidores esperançosos sobre um acordo de última hora.

Mais cedo nesta quinta-feira, o principal democrata no Senado, Harry Reid, advertiu que os Estados Unidos caminham para o “abismo fiscal”.

“Parece que é para lá que estamos indo”, disse no plenário, culpando os republicanos pelo impasse nas negociações.

Ele pediu aos republicanos que controlam a Câmara dos Deputados que evitem o pior do choque fiscal e que apoiem um projeto de lei no Senado para estender os cortes de impostos existentes para todos, exceto para quem ganha mais de 250 mil dólares por ano.

Com o relógio correndo em direção ao programado início dos aumentos de impostos e cortes profundos e automáticos dos gastos do governo, Reid ofereceu pouca esperança.

“Eu não sei em termos de tempo como isso pode acontecer”, disse o senador democrata.

Referindo-se à Câmara dos Deputados presidida por John Boehner --o principal republicano no Congresso--, Reid disse: “Está sendo operada com uma ditadura do presidente, não permitindo que a grande maioria da Câmara obtenha o que deseja”.

O esforço fracassado de Boehner na semana passada de passar sua própria solução para o “abismo fiscal” na Câmara foi um “desastre”, acrescentou Reid.

Ele também acusou Boehner de atrasar uma ação contra o “abismo fiscal” até conseguir a reeleição como presidente da Câmara em 3 de janeiro.

“John Boehner parece se importar mais em manter seu cargo de presidente da Câmara do que em manter a nação em bases financeiras firmes”, acrescentou Reid.

As declarações pessimistas de Reid derrubaram as bolsas mundiais, o euro e as ações norte-americanas.

Mas os comentários de Reid vêm sendo mais uma tentativa de instigar os adversários republicanos a agirem do que uma previsão definitiva de que as negociações sobre o “abismo fiscal” vão falhar.

O presidente norte-americano, Barack Obama, voltou para a Casa Branca de suas breves férias no Havaí para tentar reiniciar as negociações paralisadas com o Congresso.

Obama telefonou do Havaí para líderes dos dois partidos na quarta-feira para tentar reavivar as negociações para evitar o cenário de “abismo fiscal”, que preocuparia os mercados financeiros mundiais e poderia empurrar os Estados Unidos de volta à recessão.

Além disso, a confiança do consumidor norte-americano caiu para o nível mais baixo em quatro meses em dezembro, enquanto a crise orçamentária mina o que era um sentimento de otimismo com relação à economia, mostrou um relatório nesta quinta-feira.

“As pessoas estão ouvindo falar (no abismo) e isso impacta de maneira negativa a confiança e o sentimento dos investidores, e mesmo as vendas do feriado”, disse Todd Schoenberger, sócio da Landcolt Capital em Nova York.

Os norte-americanos culpam mais os republicanos do que os democratas ou o presidente Obama pela crise do “abismo fiscal”, indicou uma pesquisa Reuters/Ipsos.

Quando questionados sobre quem era mais responsável pelo impasse, 27 por cento culparam os republicanos no Congresso, 16 por cento Obama e 6 por cento os democratas. Trinta e um por cento culparam todos os envolvidos nas negociações.

Reportagem adicional de Richard Cowan

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