3 de Janeiro de 2013 / às 18:29 / em 5 anos

ANÁLISE-Republicanos dos EUA dão início a novo Congresso feridos e divididos

Por Richard Cowan

WASHINGTON, 3 Jan (Reuters) - Na esteira de combates agressivos em suas próprias fileiras por causa do "abismo fiscal" e da ajuda para vítimas da supertempestade Sandy, republicanos da Câmara dos Deputados inauguram nesta quinta-feira um novo Congresso mais dividido do que nunca.

Embora o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, não pareça correr perigo de perder sua posição por causa das divisões, sua capacidade de falar em nome de seu quadro na Casa parece muito diminuída.

Isso não poderia ter acontecido em pior momento para os republicanos, enquanto eles preparam a próxima tentativa para obter mais reduções de gastos do presidente Barack Obama. Eles vão tentar usar o teto da dívida --e o pedido de Obama para elevá-lo-- como margem de manobra, como fizeram em 2011.

Mas se os últimos dias deste Congresso foram um indicativo do que está por vir, os republicanos terão um período difícil usando eficazmente sua maioria na Câmara contra Obama que, até mesmo os republicanos reconhecem, está em um bom momento depois da reeleição em novembro.

A batalha de abismo fiscal para evitar aumentos de impostos e cortes de gastos excessivos, que deveriam começar no início deste ano, provou-se extremamente dolorosa para os republicanos.

A exigência de Obama por um aumento de impostos sobre os ricos contestou um princípio central que vem guiando os republicanos por décadas: sem novos impostos. Nunca.

Mesmo assim, na noite do Ano Novo, 85 republicanos na Câmara fizeram justamente isso, votaram para aumentar o imposto sobre rendas familiares de mais de 450.000 dólares por ano.

Algumas das maiores estrelas do Partido Republicanos estavam entre os 85 --inclusive Boehner e Paul Ryan, o republicano candidato a vice-presidente em 2012, que é visto como um ícone conservador.

Mas 151 deputados republicanos resistiram, deixando Boehner na posição pouco invejável de ter que contar com opositores democratas para aprovar a lei.

Anteriormente, na batalha do abismo fiscal, Boehner sofreu uma derrota humilhante quando o seu "Plano B" --que teria limitado os aumentos tributários para rendas de 1 milhão de dólares por ano ou mais-- recebeu tão pouco apoio que ele teve que cancelar a votação.

Mal a batalha do abismo fiscal tinha terminado e Boehner já se encontrava em apuros com outros republicanos sobre a ajuda para as vítimas do Sandy, a segunda tempestade mais cara na história dos Estados Unidos, que destruiu comunidades costeiras em Nova York e Nova Jersey em outubro.

A legislação que fornece alívio para desastres em Nova York, Nova Jersey e em outros Estados da Costa Leste foi adiada. Um assessor republicano da Câmara disse que, dada a frustração dos republicanos com a lei de abismo fiscal e sua falta de cortes de gastos significativos, "não era um bom momento para votar imediatamente sobre novos gastos de 60 bilhões de dólares".

"Não gosto de dizer isso. Eu me considero amigo pessoal de John Boehner", disse o deputado republicano Peter King de Nova York. "Dói dizer isso, mas a verdade é que a atitude desprezível que foi mostrada... com relação a Nova York, Nova Jersey e Connecticut tipifica, acredito, uma tensão no Partido Republicano".

Anteriormente, King tinha condenado a inação da Casa sobre o Sandy como uma "punhalada nas costas".

O deputado republicano Michael Grimm, também de Nova York, disse, sobre a recusa de Boehner de votar a lei do desastre: "Houve uma traição. Houve um julgamento arrogante que eu acho que vai custar a confiança do povo americano".

Ironicamente, Grimm ganhou sua cadeira no Congresso em 2010 com a ajuda dos ativistas do conservador Tea Party, que costumam mostrar seu desprezo com relação a gastos em ajuda a desastres.

Por volta do meio-dia de quarta-feira, Boehner tinha mudado de curso, prometendo uma votação na Câmara até o fim da semana sobre uma ajuda de 9 bilhões de dólares às vítimas da tempestade, com um segundo projeto de lei fornecendo 51 bilhões de dólares a ser votado em 15 de janeiro.

EFEITO DO TEA PARTY

Paul Light, um professor da Universidade de Nova York e especialista em Congresso, disse que a votação sobre a lei do abismo fiscal pode marcar o início de um "importante realinhamento" na corrida para as eleições do Congresso em 2014 e a disputa presidencial de 2016.

Os republicanos que votaram a favor da lei "terão que encontrar um lar. Não vão encontrá-lo com o Tea Party", disse Light.

Ele disse que os republicanos que se mostravam desconfortáveis com o Tea Party poderiam começar a se alinhar mais perto de uma faixa cada vez menor de democratas centristas. Republicanos do Congresso, principalmente na Câmara, vêm sendo atacados há dois anos pelo Tea Party, que os ajudou a ganhar o controle da Casa em 2010.

Boehner teve que pilotar as exigências do Tea Party ao longo da luta em 2011 sobre o aumento da autoridade de empréstimos dos EUA ou arriscar um histórico calote do governo.

Em rápida sucessão, as batalhas abastecidas pelo Tea Party foram travadas sobre os investimentos de infraestrutura, subsídios agrícolas, cortes de impostos na folha de pagamento e abismo fiscal.

No centro das disputas estava se o governo deveria ficar menor, obrigando Boehner a equilibrar essa exigência com a necessidade de governar e manter o governo federal operando de maneira ordenada.

Apesar de todo o sofrimento das últimas semanas, quando os republicanos lutaram uns contra os outros sobre se deixavam aumentar os impostos sobre os ricos, muitos enxergam dias melhores à frente.

"No geral, as pessoas estão provavelmente felizes de ver isso para trás. Essa foi obviamente a pior parte do debate fiscal", disse um republicano da Câmara, referindo-se aos aumentos tributários.

Ele acrescentou: "Os republicanos têm que ressaltar que ainda temos 1 trilhão de dólares em déficit e perguntar aos democratas que tipo de cortes de gastos, reformas de direito eles estão prontos a fazer para consertar isso".

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