Portugal não precisa de reestruturação da dívida, diz Lagarde

sábado, 5 de janeiro de 2013 13:27 BRST
 

LISBOA, 5 Jan (Reuters) - Uma reestruturação da dívida de Portugal está fora de questão e o programa de resgate ao país está progredindo bem, disse a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, neste sábado.

Lagarde disse à revista semanal portuguesa Expresso que também está confiante que Portugal não vai seguir os passos da Grécia, que entrou numa espiral de recessão econômica.

A União Europeia e o FMI concederam a Portugal um pacote de ajuda de 78 bilhões de euros em 2011, e os credores têm elogiado o país por cumprir a maioria das exigências. No ano passado, as metas rígidas para o orçamento foram flexibilizadas, uma vez que a pior recessão em Portugal desde os anos 1970 prejudicou as receitas com impostos.

"Isso está fora de questão", disse Lagarde à revista, quando perguntada se Portugal pode ser forçado a reestruturar sua dívida.

"As autoridades portuguesas estão determinadas a fazer o que é necessário para completar o programa de forma a recuperar o acesso ao mercado (de títulos)", acrescentou.

Lagarde disse ainda que o FMI deve aprovar a nova parcela de empréstimo ao país, após uma sexta revisão das contas.

"As autoridades portuguesas e os portugueses têm sido extremamente corajosos e firmes em aplicar as reformas difíceis e dolorosas", disse.

Alguns economistas dizem que Portugal pode ser forçado a ampliar o acordo de empréstimo para além deste ano, quando está previsto que volte ao mercado de títulos para se financiar a partir do terceiro trimestre.

Lagarde disse que Portugal não deve esperar qualquer mudança no acordo. "Mas temos que adaptar o programa, rever a revisão, levando em conta todas as implicações", disse.

(Reportagem de Axel Bugge)

 
Chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, gesticula durante reunião no Chile, em dezembro. Uma reestruturação da dívida de Portugal está fora de questão e o programa de resgate ao país está progredindo bem, disse Lagarde neste sábado. 14/12/2012 REUTERS/Eliseo Fernandez