ENTREVISTA-Brasil não precisa de superávit cheio para queda da dívida--Augustin

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 12:05 BRST
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA, 9 Jan (Reuters) - O Brasil já não precisa cumprir metas cheias de superávit primário para assegurar melhoras em seu endividamento e a adoção de metas sobre o resultado nominal é uma possibilidade, afirmou o secretário do Tesouro Nacional. Segundo Arno Augustin, as sucessivas quedas da Selic pavimentaram o caminho para isso ao reduzir os encargos da dívida pública.

"No passado, não tínhamos muito essa possibilidade: ou fazíamos o primário ou a dívida/PIB crescia. Agora, se fizermos o primário um pouco maior ou menor, a dívida/PIB continuará caindo", disse Augustin à Reuters na noite de terça-feira, acrescentando que neste ano essa relação deverá bater novo recorde de baixa.

A relação da dívida líquida com o Produto Interno Bruto (PIB) é um dos principais indicadores de solvência dos países e de sua solidez. Em 2011 no Brasil, essa relação fechou em 36,4 por cento, recuando a 35 por cento em novembro de 2012, segundo os últimos dados do Banco Central, devendo ter encerrado o ano muito próximo desse patamar.

"A tendência da dívida/PIB de 2013 é de queda maior porque a despesa com juro tende a ser bem menor. A tendência de queda da dívida/PIB está colocada e não vai mudar", afirmou o secretário. Hoje, a taxa básica de juros, usada em boa parte da remuneração de títulos brasileiros, está na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano.

As declarações de Augustin acontecem em um momento em que o governo recorreu a uma verdadeira engenharia financeira para cumprir, com mais descontos do que o previsto, a meta de 2012 do superávit primário --economia feita pelo setor público para pagamento de juros--, estipulada em 139,8 bilhões de reais.

Além do abatimento, já previsto, dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo também sacou mais de 12 bilhões de reais do Fundo Soberano e recebeu antecipadamente 7 bilhões de reais em dividendos dos bancos estatais Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Com o baixo resultado obtido entre janeiro e novembro de 82,7 bilhões de reais, o governo necessita fazer uma economia de 57,1 bilhões de reais apenas em dezembro para fechar a conta integral do superávit primário.

Segundo Augustin, boa parte do problema veio dos Estados e municípios, que vão conseguir realizar pouco mais da metade da sua meta, que somava 42,8 bilhões de reais. De janeiro a novembro passados, no entanto, esses governos regionais haviam poupado apenas 24,6 bilhões de reais.   Continuação...

 
Secretário do Tesouro, Arno Augustin, fala durante entrevista à Reuters em Brasília, em setembro de 2011. O Brasil já não precisa cumprir metas cheias de superávit primário para assegurar melhoras em seu endividamento e a adoção de metas sobre o resultado nominal é uma possibilidade, afirmou o secretário. 30/09/2011 REUTERS/Ueslei Marcelino