CENÁRIOS-Fatores convergem para melhora do mercado de IPOs do Brasil em 2013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 19:08 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 9 Jan (Reuters) - A estreia de novas empresas na Bovespa pode ganhar fôlego nos próximos meses, apoiada em juros menores, arrefecimento da crise europeia, retomada da economia mundial e incentivo do governo para o mercado de capitais, após um ciclo de atividade fraca que culminou no pior resultado de uma década em 2012.

Embora escaldados por seguidas frustrações das expectativas otimistas de começo de ano, especialistas avaliam que há algumas evidências de que, desta vez, a história será diferente. Nada que se compare ao recorde de 64 ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de 2007 no mercado brasileiro, mas certamente superior às minúsculas três operações do ano passado.

E não é só devido a grifes como BB Seguridade, Smiles, Atacadão e Telefônica Latinoamérica, nomes já mencionados no mercado e cujas operações tenderiam a movimentar, cada uma, cifras superiores a um bilhão de dólares.

"Há um otimismo mais concreto agora", disse à Reuters o diretor executivo de produtos e clientes da BM&FBovespa, Marcelo Maziero, para quem o juro no piso histórico está forçando a convergência de interesses de empresas e de investidores.

Para o executivo, a principal novidade é a formação de um ambiente propício para deslanchar as operações de empresas de médio porte.

Grandes investidores como fundos de pensão mostram-se dispostos a correr mais riscos para conseguir rentabilidade superior à taxa básica de juro Selic, de 7,25 por cento ao ano.

A nova fase de expansão do mercado doméstico tende a ter os grandes fundos institucionais do país como substitutos dos estrangeiros como maior fonte de demanda por ações. No período 2003-2008, mais de dois terços do montante vendido em ofertas públicas de estreantes na Bovespa foram, em média, para o investidor estrangeiro.

Do lado dos emissores, as empresas candidatas a acessar a bolsa parecem mais flexíveis na precificação das operações, especialmente após a maioria das ofertas dos últimos dois anos ter vindo com valor por ação abaixo do estimado.   Continuação...