BCE mantém juros após sinais esperançosos sobre economia

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 14:16 BRST
 

Por Eva Kuehnen

FRANKFURT, 10 Jan (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros inalterada na mínima recorde de 0,75 por cento nesta quinta-feira, em meio a sinais de vida na economia da zona do euro e à inflação ainda acima da meta.

A zona do euro está em recessão, mas dados recentes indicam alguma estabilização. O presidente do BCE, Mario Draghi, mostrou um tom ligeiramente mais positivo que o habitual na entrevista à imprensa que concedeu após a decisão da taxa de juros.

"A fraqueza econômica na região do euro deve se estender em 2013", afirmou Draghi, que previu, no entanto, uma "recuperação gradual" ao longo do ano.

"Os riscos envolvendo as perspectivas para a economia... seguem do lado negativo. Estão relacionados principalmente à lenta implementação de reformas estruturais na zona do euro, a assuntos geopolíticos e desequilíbrios nos países mais industrializados", acrescentou.

No mês passado, Draghi afirmou haver uma "ampla discussão" sobre a redução das taxas --comentário que alimentou expectativas sobre um corte em breve. Mas declarações de uma série de autoridades desde então prejudicaram essa ideia.

"Isso não é uma surpresa já que alguns dos recentes comentários do conselho parecem minimizar o recente foco sobre a taxa de juros", disse o economista do Nomura, Nick Matthews, sobre a decisão desta quinta-feira.

Os custos de captação dos países da zona do euro caíram acentuadamente desde que Draghi prometeu no ano passado fazer o que fosse necessário para proteger o bloco monetário continental, ao comprar títulos da dívida de governos de forma potencialmente ilimitada.

"Os yields de bônus e os CDS dos países (sigla em inglês para credit default swaps) estão muito mais baixos, significativamente baixos. As bolsas melhoraram. A volatilidade está em mínimas históricas", avaliou Draghi.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, fala com jornalistas durante coletiva de imprensa mensal, em Frankfurt. 10/01/2013 REUTERS/Kai Pfaffenbach