14 de Janeiro de 2013 / às 16:38 / 5 anos atrás

ANÁLISE-Empresas aéreas menores continuarão a crescer mais que líderes

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 14 Jan (Reuters) - O ano de 2013 deve ser melhor para o setor aéreo, após as reduções de ofertas e maus resultados apresentados em 2012, mas ainda serão as empresas menores que apresentarão taxas de crescimento maiores que as líderes no Brasil.

Segundo analistas e especialistas do setor, o aumento de custos com combustível e a valorização do dólar prejudicou a todas no ano passado, mas a intensa competição entre Gol e TAM pela liderança do mercado fez com que ambas sentissem mais os efeitos de gastos maiores.

“(As empresas menores) têm capacidade que permite expandir rotas. TAM e Gol estão com capacidade no limite. Com certeza (as companhias menores) vão crescer mais que as outras”, afirmou à Reuters o coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Hildebrando Hoffmann.

O incentivo que o governo federal quer der à aviação regional também reforça a expectativa de maior crescimento dessas empresas, segundo o analista de aviação da Lafis, Felipe Souza.

“A grande bola da vez é voo regional. Tanto que a Azul deu um salto”, disse. “Vejo a aviação regional como ótima oportunidade de negócios.”

Em dezembro, o governo anunciou um plano de 7,3 bilhões de reais para fomentar a aviação regional com incentivos e subsídios para companhias aéreas que operem trechos regionais.

Para Souza, a tendência é que a oferta de voos no Brasil se recupere ao longo de 2013, principalmente com o crescimento das companhias menores.

Para as grandes companhias aéreas, analistas também acreditam em recuperação, influenciada por eventos esportivos como a Copa das Confederações neste ano e a Copa do Mundo em 2014.

“A tendência é que no segundo semestre de 2013 comece a reverter (a queda na oferta), até pelos eventos esportivos”, disse Souza.

Por outro lado, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, acredita que o cenário se manterá semelhante ao de 2012.

“A tendência em 2013 é que as duas maiores, Gol e TAM, sigam fazendo um ajuste, enquanto Azul-Trip (em processo de fusão), por conta da incorporação, ampliem a oferta, porque tendem a ter aviões liberados para novos trechos. E a Avianca está ampliando a oferta por conta de troca de frota. Ela está recebendo aviões novos e maiores.”

Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Aviãção Civil (Anac), a TAM teve um crescimento de 15,06 por cento na demanda em novembro de 2012, ante igual mês de 2011, enquanto a Gol teve queda de 0,90 por cento. Já Avianca cresceu 97,11 por cento e a Azul teve crescimento de 14,93 por cento.

A oferta de assentos por quilômetro voado caiu 4,88 por cento no caso da TAM e 11,20 por cento na Gol. A Avianca, enquanto isso, teve alta de 89,10 por cento e a Azul registrou aumento de 12,02 por cento.

“O aumento de custos afeta a todos, mas afetou mais as maiores”, ressaltou Sanovicz.

O presidente da Abear disse que a associação negocia com reguladores do setor uma mudança na forma de precificar o combustível de aviação. “A forma de calcular o preço é a mesma de duas décadas atrás, quando o petróleo vinha basicamente do exterior”, disse, sem entrar em detalhes.

COMPETIÇÃO

Para o sócio da Consultoria Bain & Company André Castellini, a rivalidade entre TAM e Gol levou a um excesso de oferta no passado que agora está cobrando seu preço.

“Teve situação de excesso de oferta pelo grau de rivalidade intensa no setor e pelos custos”, disse. “Tinha excesso de oferta de aeronaves e isso fez com que as empresas tivessem prejuízo. Elas têm que dar um passo atrás.”

Além da forte competição e do aumento de custos, processos de fusão e aquisições no setor influenciaram na redução de ofertas.

No caso da Gol, a decisão de encerrar as operações da WebJet, resulta na diminuição da oferta entre 5 e 8 por cento, segundo estimativa da companhia.

Na fusão entre Azul e Trip, porém, analistas não esperam que ocorra uma redução na oferta. Isso porque o perfil de voos mais regionais da segunda empresa funcionaria de forma a complementar os voos da Azul.

“A Trip tem perfil de rotas regionais e a Azul, nacional. Então, é provável que essa junção tenha impacto menor no mercado”, afirmou Hoffmann, da PUC-RS.

Em novembro, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sugeriu a aprovação da fusão de Azul e Trip considerando, entre outras coisas, a baixa concentração de rotas comuns.

Edição de Cesar Bianconi

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