January 16, 2013 / 10:33 PM / 5 years ago

Copom mantém Selic a 7,25% e vê recuperação menor da atividade econômica

5 Min, DE LEITURA

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 16 Jan (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve nesta quarta-feira, em decisão unânime, a Selic em 7,25 por cento ao ano, recorde histórico de baixa, indicando que a taxa básica de juros do país não mudará pelos próximos meses.

Isso porque, em seu comunicado, reconheceu que a recuperação da atividade está menor, apesar de a inflação estar mais pressionada no curto prazo. E repetiu que a estratégia de manter a atual política monetária por mais tempo é a mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Essa foi a segunda vez seguida que o Copom não mexeu na taxa básica de juros, depois de dez cortes seguidos, e reforçou as percepções no mercado de que a Selic ficará estável ao longo deste ano. Mas alguns analistas já começam a ver sinais de que, no futuro, o BC pode voltar a subir os juros.

"Considerando o balanço de riscos para a inflação, que apresentou piora no curto prazo, a recuperação da atividade doméstica, menos intensa do que o esperado, e a complexidade que ainda envolve o ambiente internacional, o comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta", informou o Copom.

Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que 32 dos 33 economistas consultados esperavam manutenção da Selic neste patamar.

Nos dois últimos comunicados, em outubro e novembro, o Copom havia dito apenas que levava em consideração o "balanço de riscos para a inflação" e a "recuperação da atividade doméstica", sem se aprofundar nos cenários. Desta vez, também não citou que a inflação convergiria para a meta "ainda que de forma não linear".

"Era bastante esperado que eles manteriam a taxa de juros e que eles não vão alterá-la por algum tempo. Eles estão telegrafando isso para o mercado", afirmou o analista da Ideaglobal Enrique Alvarez, em Nova York.

Apesar da quase unanimidade nas expectativas para a reunião desta noite, confirmadas pelo Copom, a política monetária do governo enfrenta um quadro bastante complexo este ano. Ao mesmo tempo que a atividade econômica não consegue deslanchar de vez, a inflação continua dando sinais de alta.

No último Relatório Trimestral de Inflação, publicado em dezembro, o BC estimou em 4,8 por cento a inflação medida pelo IPCA este ano, já incorporando a previsão de queda nos preços das tarifas do setor elétrico. Mas também via os preços da gasolina estáveis, algo que não deve ocorrer.

Já o mercado prevê que o índice registrará alta de 5,53 por cento em 2013 e de 5,50 em 2014. O IPCA encerrou o ano passado acumulando alta de 5,84 por cento, pressionado por alimentos e despesas pessoais, e indicando que os preços continuavam acelerando.

O próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, já havia reconhecido, ao comentar esse resultado, que no curto prazo a inflação mostrava resistência. Ainda assim, para ele, "as perspectivas indicam retomada da tendência declinante ao longo de 2013".

No lado da atividade, a economia brasileira --que deve ter crescido cerca de 1 por cento no ano passado-- ainda não deu sinais de uma recuperação mais consistente.

Diante da combinação economia fraca e inflação pressionada, analistas começam a questionar se a autoridade monetária vai elevar a Selic ou mantê-la estável diante da fragilidade econômica.

"O BC está reconhecendo a piora da inflação e reconhecendo também a recuperação mais lenta que o esperado, mas ainda se mantendo fiel à estratégia de manutenção da Selic por um período de tempo suficientemente prolongado", afirmou o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, para quem, no entanto, a Selic pode ser elevada até o final deste ano.

Para a economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Silvia Matos, se a inflação não ceder, antes de subir os juros, o BC poderia lançar mão de medidas macroprudenciais, a fim de não atrapalhar a recuperação da atividade econômica.

"O comunicado mostra que o Copom vai manter os 7,25 por cento o máximo possível e só subirá a taxa se a inflação ficar mais próxima de 6,5 por cento.... À medida que o cenário externo melhorar e a economia brasileira reagir com mais vigor, é natural uma alta (da Selic). Mas antes dessa elevação, o Copom tende a usar outros instrumentos, como o câmbio e medidas macroprudenciais", afirmou ela.

Reportagem de Luciana Otoni e Alonso Soto, em Brasília; Frederico Rosas e Caroline Stauffer, em São Paulo

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