Presidente de conselho da Thyssen admite erros, mas não renuncia

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 11:36 BRST
 

BOCHUM, Alemanha, 18 Jan (Reuters) - O presidente de conselho da ThyssenKrupp, Gerhard Cromme, admitiu erros que contribuíram para grandes prejuízos sofridos pelo grupo alemão, mas não cedeu às pressões de alguns investidores para renunciar.

"Se vocês me perguntarem se nós, como um conselho supervisor, poderíamos ter feito as coisas melhores no passado, minha resposta sincera é 'sim'. Ficamos esperando por muito tempo, poderíamos ter agido mais cedo", declarou o executivo a centenas de acionistas na reunião anual da companhia nesta sexta-feira.

Cromme está sob fogo cruzado pelas perdas bilionárias sofridas pela ThyssenKrupp com a divisão Steel Americas, que inclui a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), além de festas para jornalistas e acusações de fixação de preços de trilhos ferroviários.

Os comentários do executivos foram recebidos por uma mistura de palmas e vaias de um público formado por mais de mil investidores cientes de que os problemas cresceram sob a gestão de Cromme e do ex-presidente-executivo Ekkehard Schulz.

No mês passado, a ThyssenKrupp divulgou prejuízo líquido anual de 4,7 bilhões de euros (6,1 bilhões de dólares) após ter registrado baixa contábil relacionada à unidade Steel Americas e informou que não pagará dividendo do ano fiscal 2011/2012.

A Steel Americas é integrada pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e por usina laminadora nos Estados Unidos. A ThyssenKrupp investiu bilhões de euros na Steel Americas, que custou mais do que o esperado e tem registrado prejuízo desde o início de suas operações.

Enquanto isso, a crise da zona do euro tem atingido a demanda por carros e pesado sobre os preços do aço, causando queda nos resultados europeus da ThyssenKrupp. A empresa tem dívida líquida de 5,8 bilhões de euros, quase 1,3 vez seu patrimônio.

O atual presidente-executivo do conglomerado, Heinrich Hiesinger, que em 2011 tornou-se o primeiro chefe da companhia contratado de fora da indústria siderúrgica, está liderando uma revisão para cortar a exposição do grupo à volátil indústria do aço e para mudar os investimentos em direção de produtos e serviços de margens maiores.

A companhia, por exemplo, está fabricando elevadores para a Freedom Tower, em Nova York, administra da cadeia de suprimento da Boeing e desenvolveu um material compósito para carros que afirma ter custo mais eficiente que o alumínio.   Continuação...

 
Gerhard Cromme admitiu os erros que geraram prejuízos para a ThyssenKrupp mas não deixou o cargo. "Poderíamos ter agido mais cedo", disse. 18/01/2013 REUTERS/Wolfgang Rattay