18 de Janeiro de 2013 / às 18:29 / 5 anos atrás

Período sem chuvas preocupa produtores de soja do Rio Grande do Sul

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 18 Jan (Reuters) - A perspectiva de um período de mais de duas semanas sem chuvas no Rio Grande do Sul preocupa produtores, que temem redução de produtividade, ainda com lembranças vivas da quebra de safra provocada por uma seca no ano passado, disseram especialistas nesta sexta-feira.

A avaliação de técnicos que atuam nas principais regiões produtoras do Estado é de que até o momento as lavouras estão com um ótimo desenvolvimento.

No entanto, muitas áreas entram agora nas cruciais fases de floração e enchimento de grãos, quando precisam de uma quantidade maior de água, e é justamente neste momento em que a previsão do tempo aponta para um período mais prolongado sem chuvas.

“Os produtores estão muito preocupados e estão na memória com a seca do ano passado”, disse o engenheiro agrônomo Cláudio Dóro, da Emater/RS em Passo Fundo, lembrando que na safra 2011/12 houve perda de 50 por cento da produtividade em função da seca.

Segundo Dóro, a chuva mais consistente na região ocorreu há cerca de 9 dias.

A Somar Meteorologia projeta um período longo sem chuva no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e partes do Paraná. A projeção para o norte e o noroeste do Rio Grande do Sul, por exemplo, é de não mais do que 2 ou 3 milímetros de chuvas nos próximos 5 dias.

“Não vai ser uma seca tão severa quanto em 2012, mas também não vai ser um ano regular. Isso vai trazer algumas complicações”, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar.

O engenheiro agrônomo André de Quadros, da Cotrijal, importante cooperativa do Rio Grande do Sul, lembra que lavouras que ficam sem chuvas mais do que 15 a 18 dias começam a perder potencial produtivo.

“Se começar a faltar chuva, pode começar a aparecer dano em produtividade a partir da semana que vem”, disse ele. “O pessoal está preocupado, porque a previsão marca 10 dias sem chuva para a frente.”

O agrometeorologista da Somar explica que temperaturas levemente mais frias no oceano Pacífico --sem configurar fenômeno La Niña, no entanto-- fazem com que a umidade da Amazônia não esteja chegando até a região Sul do Brasil, ficando estacionada no Centro-Oeste e no Sudeste. As frentes frias passam pelo Sul sem se chocar com umidade e vão provocar chuvas no centro do país.

A previsão mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que o Rio Grande do Sul vá colher 12,2 milhões de toneladas na atual safra, recuperando-se e ficando 86 por cento acima da colheita de 2011/12.

A produção gaúcha é a terceira maior do país, perdendo para Mato Grosso, que deverá colher 24 milhões de toneladas e o Paraná, com 15 milhões de toneladas.

A Conab projeta a safra brasileira de soja em 82,68 milhões de toneladas.

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