ANÁLISE-Inflação de serviços segue elevada e não trará sossego em 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 18:01 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 18 Jan (Reuters) - A combinação de renda e emprego em alta com recuperação da economia, mesmo que ainda tímida, vai continuar alimentando a inflação de serviços em 2013, mais um fator que deixa a luz amarela acesa sobre o comportamento dos preços no país e suas consequências para a política monetária.

Na avaliação de analistas consultados pela Reuters, o setor de serviços deve registrar inflação de cerca de 8 por cento neste ano, bem próximo dos 8,75 por cento vistos em 2012. Isso mesmo com o reajuste menor do salário mínimo --de 9 por cento agora, ante 14 por cento no ano passado--, mas ainda considerado alto o suficiente para estimular ainda mais o consumo.

"O setor de serviços continuará pressionando a inflação, pode haver certo arrefecimento, mas não será nada digno de comemoração", afirmou o economista do Itaú-Unibanco Elson Teles, lembrando que a renda em elevação ajuda a puxar para cima, sobretudo, os preços de itens como empregado doméstico, serviços pessoais e saúde.

Em 2012, o IPCA fechou com alta de 5,84 por cento, bem acima do centro da meta do governo de 4,5 por cento --também válida para 2013 e 2014--, com grande destaque para o item empregado doméstico, que foi o maior impacto individual do indicador ao registrar inflação de 12,73 por cento.

Neste ano, o mercado vê o IPCA acima de 5,5 por cento de alta e, para Teles, só a inflação de serviços crescerá 8 por cento.

Dentro do governo, a avaliação é de que a menor correção do salário mínimo este ano trará um pouco mais de folga nas pressões sobre os preços, além de outros fatores que também contribuem neste sentido, como as desonerações em folha de pagamento, que reduzem os custos para as empresas.

Mas a análise no mercado é que, ainda que a correção do salário mínimo seja menor agora, continua sendo um percentual elevado o suficiente para pressionar os preços.

"A situação atual de emprego e renda impede desaceleração dos preços no setor serviços", avaliou o economista do Santander Asset Management, Ricardo Denadai, que também vê os preços dos serviços subindo 8 por cento neste ano.   Continuação...