22 de Janeiro de 2013 / às 15:07 / 5 anos atrás

Desembolsos do BNDES somam R$156 bi em 2012, acima do esperado

RIO DE JANEIRO, 22 Jan (Reuters) - Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) totalizaram 156 bilhões de reais em 2012, aumento de 12 por cento em relação ao ano anterior e acima da previsão do banco de fomento, de fechar o ano com a liberação de 150 bilhões de reais em recursos.

“De 2011 para 2012, por força da crise, os planos de investimento se reduziram e estamos observando uma inequívoca melhora de planos de investimento a partir das novas informações”, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em coletiva de imprensa nesta terça-feira.

Ele não quis fazer previsões para este ano, mas afirmou ver “pressão da demanda por recursos”.

Como ao longo de 2012 aprovações, consultas e enquadramentos avançaram cerca de 60 por cento, os desembolsos tendem a ser robustos em 2013. Mesmo assim, o presidente do BNDES evitou falar em novos aportes de recursos do Tesouro Nacional para o funding da instituição esse ano.

Ele espera que, a partir desse ano, as fontes de financiamento da economia se diversifiquem e que haja mais participação do mercado de capitais.

Nos últimos anos, o banco e o governo vem trabalhando para estimular os bancos privados a entrarem mais fortemente no financiamento de longo prazo. Com a queda da Selic, CDI e dos juros da economia em geral, Coutinho espera que o financiamento de longo prazo via mercado de capitais seja um caminho mais natural.

“Vamos abrir debêntures com o mercado. As novas concessões são oportunidade para compartilhar com o mercado de capitais os investimentos, na medida que a Selic e o CDI caíram e a diferença entre as taxas diminuiu muito”, disse Coutinho a jornalistas.

“Por outro lado, fundos de pensão e de investimento precisam alternativas aos títulos e vamos desenvolver o mercado. É um tema que amadurece no nosso planejamento de 2013”, adicionou ele.

Os desembolsos para infraestrutura diminuíram 6 por cento no ano passado, para 52,9 bilhões de reais, enquanto os recursos destinados à indústria somaram 47,6 bilhões de reais, alta anual de 9 por cento.

Os financiamentos ao setor de energia elétrica atingiram cerca de 18,9 bilhões de reais, alta de 19 por cento ante 2011.

Já o setor de agronegócios recebeu 11,3 bilhões de reais em recursos e o comércio, 44 bilhões, crescimentos de 16 e 51 por cento, respectivamente.

DESEMPENHO E METAS

Ajudaram a inflar o desempenho do BNDES, os recursos liberados para investimentos de alguns Estados, dentro do programa Proinveste. Só para administração pública, essas liberações alcançaram cerca de 7 bilhões de reais em 2012, de acordo com Coutinho.

Para enfrentar a crise global e seus efeitos sobre a economia brasileira, o banco manteve o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que foi estendido até o fim de 2013, e fortaleceu o Progeren, voltado para o capital de giro das empresas.

As duas rubricas também tiveram peso relevante no desempenho de 2012. O montante liberado pelos dois programas alcançou a marca de cerca de 54 bilhões de reais. “O ano de 2012 teve mais recurso para giro das empresas e Estados, que não vai repetir em 2013. Em 2013, nós queremos que esteja estreitamente para a aceleração da FBCF e do investimento”, afirmou o executivo.

Os números do banco apontam para, em 2013, uma expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de 5,5 a 6 por cento, mas a meta, segundo Coutinho, é aproximar esse nível para 8 por cento.

“Vamos trabalhar para maximizar isso”, afirmou Coutinho ao apostar nas concessões na área de logística para alavancar o investimento a partir do segundo semestre.

O presidente do banco rechaçou ainda as críticas de que a política de financiamentos e juros do BNDES sejam um inibidor do capital privado nos empréstimos de longo prazo.

Sobre o descasamento entre liberações do banco e nível de investimento no país, Coutinho declarou que o BNDES é apenas um canal de fomento ao investimento, mas não o único.

“(O descasamento) se dá porque o BNDES afeta de 15 a 20 por cento na FBCF. Temos papel indutor de estimular o investimento e olhando para os últimos meses e a perspectiva de consultas, estamos seguros de que vamos contribuir para a retomada do investimento”, frisou ele.

Por Rodrigo Viga Gaier

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