23 de Janeiro de 2013 / às 17:30 / 5 anos atrás

ANÁLISE-Prévias de construtoras atestam desaceleração do setor em 2012

Por Vivian Pereira

SÃO PAULO, 23 Jan (Reuters) - Após uma rodada de revisões de projetos para ajustar custos, as construtoras e incorporadoras consolidaram no quarto trimestre de 2012 um ano marcado por redução do tamanho das operações, em meio à combinação de menos lançamentos e cenário econômico mais fraco.

Se considerados os resultados operacionais preliminares divulgados por quatro das empresas que representam o setor no Ibovespa --Cyrela Brazil Realty, MRV Engenharia, Gafisa e Brookfield Incorporações--, os lançamentos de outubro a dezembro foram 15,5 por cento menores sobre um ano antes.

Já as vendas contratadas diminuíram 9,8 por cento, refletindo a estratégia adotada desde o fim de 2011 de priorizar venda de estoques e agilizar a entrega de empreendimentos em construção.

Ainda entre essas companhias, a Gafisa foi a única a registrar aumento anual em vendas e lançamentos, favorecida por baixa base de comparação e começando a entregar resultados da reestruturação promovida para reverter os problemas causados pela Tenda, sua unidade na baixa renda.

“A Gafisa foi a surpresa positiva, com forte desempenho em lançamentos e geração de caixa”, disse o analista Guilherme Rocha, do Credit Suisse.

Os lançamentos e as vendas da empresa mais que dobraram no quarto trimestre, para 1,49 bilhão e 905,2 milhões de reais, respectivamente.

“A Gafisa mostrou estar no caminho correto da recuperação, entregando os ‘guidances’ tanto de lançamentos quanto de unidades para o ano, além de apresentar forte geração de caixa operacional”, afirmou a equipe da Ativa Corretora em relatório.

Mas, embora as demais companhias tenham apurado uma desaceleração no lado operacional, dados do setor sinalizaram que, em linhas gerais, os últimos meses de 2012 podem ter sido mais favoráveis em relação aos resultados anteriores.

Segundo o sindicato da habitação na capital paulista (Secovi-SP), os lançamentos residenciais em São Paulo mais que dobraram em novembro ante outubro, para 4.894 unidades, o maior volume lançado no município desde dezembro de 2011.

Já as vendas de imóveis residenciais novos na capital paulista saltaram 44,6 por cento em novembro na comparação com outubro, a 2.852 unidades, no segundo melhor mês de 2012, abaixo apenas de setembro, quando foram comercializados 3.674 imóveis.

ESTIMATIVAS SOB PRESSÃO

Ao longo de 2012, boa parte das construtoras se viram obrigadas e revisar para baixo as estimativas anuais traçadas, tanto para vendas quanto para lançamentos, diante do ambiente econômico mais desafiador, com consumidores endividados adiando decisões de compra, e da demora para aprovação de novos projetos em cidades relevantes como São Paulo.

Com as revisões, empresas como a Cyrela puderam fechar o ano cumprindo o prometido. A companhia somou vendas de 6 bilhões de reais em 2012, no piso da meta revisada, de 6 bilhões a 7 bilhões de reais. Anteriormente, a previsão era de vendas entre 6,9 bilhões e 8 bilhões de reais.

Mas, apesar do cumprimento da meta, o menor nível de velocidade de vendas no quarto trimestre --medido pela relação de venda sobre oferta-- foi apontado como aspecto negativo do resultado da Cyrela.

“A tendência de queda em velocidade de vendas nos mantêm cautelosos para os próximos trimestres... não só a velocidade de vendas ficou abaixo do esperado, como também foi inferior à das demais empresas”, assinalou Rocha, do Credit Suisse.

A Cyrela teve velocidade de vendas de 17,4 por cento de outubro a dezembro, contra 21,3 por cento no período anterior e 27,6 por cento um ano antes.

Ainda entre as empresas que garantiram o cumprimentos das estimativas após revisá-las, a Brookfield apurou vendas de 3,4 bilhões de reais no ano, ante estimativa de 3 bilhões a 3,5 bilhões de reais. O resultado ficou 23,5 por cento abaixo das vendas de 2011.

Já a MRV Engenharia optou por manter a projeção anual traçada, mesmo com poucas possibilidades de cumprimento ao chegar em setembro com um saldo elevado a realizar.

A construtora mineira vendeu 4,005 bilhões de reais em 2012, queda de 7 por cento ante 2011 e abaixo da projeção anual de 4,5 bilhões a 5,5 bilhões de reais.

“Podíamos ter revisado o ‘guidance’ perto do final (do ano), mas seria apenas para dizer que ficou dentro da meta”, disse à Reuters o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, na semana passada.

Para a equipe de analistas do Espirito Santo Investment Bank, embora não tenha atingido a meta de vendas, a MRV teve como destaques positivos a recuperação da velocidade de vendas, que ficou em 23 por cento, e a forte transferência de recebíveis à Caixa Econômica Federal.

“A MRV precisa melhorar a entrega de projetos para fechar a lacuna entre vendas, entregas de projetos e transferência de recebíveis”, segundo os analistas.

Dentre as demais empresas que integram o Ibovespa, a PDG Realty optou novamente por não divulgar resultados preliminares, como ocorreu no terceiro trimestre de 2012.

A nova administração da companhia, que cancelou a projeção de lançamentos para 2013, decidiu revisar detalhadamente o orçamento de todas as obras em curso para, depois, divulgar um plano de negócios com novos objetivos de longo prazo, o que deve ser feito juntamente com a apresentação do balanço do quarto trimestre.

Já a Rossi Residencial não informou se divulgará dados operacionais preliminares. A empresa está concluindo um processo de aumento de capital de cerca de 600 milhões de reais para adequar sua estrutura de capital.

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