Setor de sucata critica siderúrgicas por taxa de exportação

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 17:23 BRST
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 23 Jan (Reuters) - O setor de comercialização de sucata ferrosa do Brasil criticou duramente nesta quarta-feira as siderúrgicas do país, que tentam junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estabelecer um inédito imposto de exportação do insumo usado principalmente na produção de aços longos.

Segundo análise do Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa), o pedido feito em agosto passado pelo Instituto Aço Brasil (IABr) é ilegal e "tolo" do ponto de vista do comércio exterior, e tem como pano de fundo interesse das siderúrgicas em controlar a definição de preços da sucata no mercado brasileiro e ampliar suas margens de lucro.

A indústria de sucata --que capta aço descartado incluindo o presente em veículos e eletrodomésticos fora de uso, por exemplo-- é formada por cerca de 5.500 empresas no país que vendem o insumo principalmente para apenas três grupos siderúrgicos: Gerdau, ArcelorMittal e Votorantim Siderurgia.

Segundo o Inesfa, o relacionamento com as usinas ficou sob tensão após a crise econômica global de 2008, quando o mercado de aço encolheu e parte dos sucateiros começou a buscar refúgio na exportação, em meio a preços internos historicamente menores do que no mercado internacional.

"Dá até um estudo antropológico isso. O Brasil com extrema necessidade de aumentar suas exportações pode adotar uma medida que reduz as vendas externas", disse Gesner de Oliveira, sócio da GO Associados, empresa contratada pelo Inesfa para o levantamento que foi usado como defesa apresenta nesta semana pelo setor ao ministério.

"O imposto vai reforçar o poder de compra (das usinas no Brasil)", acrescentou o ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), durante evento do Inesfa.

Procurado, o IABr não comentou o assunto de imediato. Em novembro, o presidente-executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que a motivação do instituto é "impor uma barreira a países que bloqueiam nossas exportações de produtos de aço" e "não é uma ação contra o setor de sucata".

A assessoria de imprensa do ministério afirmou que o pedido do IABr está sendo debatido nesta semana por técnicos da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e que o assunto pode ser decidido já na próxima reunião do órgão, em 5 de fevereiro, se entrar na pauta.   Continuação...