Japão registra déficit comercial recorde em 2012

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 07:52 BRST
 

Por Kaori Kaneko e Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO, 24 Jan (Reuters) - O Japão registrou um déficit comercial anual recorde em 2012, com as exportações ampliando a queda em dezembro, num sinal de que os esforços do primeiro-ministro Shinzo Abe para enfraquecer o iene estão demorando para ganhar força.

Uma pesquisa da Reuters mostrou que a confiança da indústria japonesa está melhorando, mas o déficit comercial do ano passado de 6,93 trilhões de ienes (78,27 bilhões de dólares) e a sétima queda consecutiva mensal nas exportações indicam que esse sentimento precisa se traduzir em dados econômicos sólidos.

O saldo comercial negativo pelo segundo ano consecutivo sublinha a necessidade do governo de Abe de encontrar um equilíbrio entre o crescimento econômico e a reforma fiscal.

Os dados de dezembro, no entanto, são vistos como o ponto mais baixo e os analistas esperam que a economia gradualmente ganhe força neste ano.

"Não acho que o déficit vai persistir como uma tendência", disse Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute, em Tóquio.

"Com a economia dos EUA e da China acelerando e o iene enfraquecendo, a balança comercial do Japão voltará a ser superavitária até por volta do fim deste ano."

Os dados do Ministério das Finanças nesta quinta-feira mostraram que as exportações caíram 5,8 por cento no ano até dezembro, mais do que o previsto por economistas de uma queda de 4,2 por cento.

As importações subiram 1,9 por cento, contra um aumento de 1,5 por cento projetado, resultando em um déficit comercial de 641,5 bilhões de ienes comparado com uma previsão de saldo negativo de 534 bilhões de ienes, marcando o sexto mês consecutivo de déficits comerciais.

As exportações do Japão continuaram a enfraquecer, embora o iene tenha começado a cair acentuadamente em novembro na expectativa de medidas de forte estímulo pelo banco central japonês para tirar a terceira maior economia do mundo de sua quarta recessão desde 2000.

Desde o início de novembro o iene caiu 11 por cento contra o dólar e 15 por cento contra o euro.