Redução na conta de energia surpreende agentes do setor elétrico

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 11:38 BRST
 

RIO DE JANEIRO, 24 Jan (Reuters) - A redução na conta de energia elétrica acima do previsto, anunciada na quarta-feira pela presidente Dilma Rousseff, surpreendeu positivamente representantes do setor elétrico e, segundo eles, mantêm o sistema elétrico nacional atrativo a investimentos sem colocar em risco a sua integridade.

"Foi muito positivo e surpreendente ... uma demonstração de reduzir a tarifa de energia do Brasil e tornar a economia brasileira mais competitiva e aumentar o poder aquisitivo do país", disse o diretor do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), Nivalde de Castro, a jornalistas, antes de evento, nesta quinta-feira.

A presidente Dilma Rousseff anunciou na quarta-feira uma redução maior do que a esperada na tarifa de energia elétrica já a partir de quinta-feira, de 18 por cento para consumidores domésticos e de até 32 por cento para indústria, agricultura, comércio e serviços.

"Avaliamos e concluímos que essa redução não afeta em nada a capacidade de investimento para a expansão do setor. As medidas centram em contratos vencidos e os novos contratos tem segurança jurídica grande. Ainda há competitividade e atratividade", adicionou Castro.

O presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata, também ficou surpreso com a queda anunciada. "Com certeza, foi uma excelente notícia e mostra a preocupação do governo com a energia mais barata. O impacto disso sobre a operação do sistema é pequeno", afirmou ele ao acrescentar que a situação hidrológica melhorou, o nível dos reservatórios também, e a necessidade de uso de térmicas deve diminuir.

INDEXAÇÃO

Apesar dos elogios, os especialistas fizeram críticas ao indexador de preços do setor elétrico. O governo trocou o IGPM, que mede variações de preços no atacado, varejo e construção civil, pelo IPCA, índice oficial do Governo para o sistema de metas de inflação.

"É preciso mudar a forma de indexação de contratos de geração e transmissão... é preciso algo mais aderente às estrutura de custos das empresas e empreendimentos", afirmou Castro ao defender um índice que acompanhe a trajetória da TJLP, taxa de juros de longo prazo usada para corrigir financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor privado. "Desse jeito que está, os empreendedores ficam sócios da inflação e torcem para ela subir", adicionou ele.

Barata da CCEE considera que o assunto precisa ser discutido pelo governo rapidamente. "O IPCA não reflete bem, assim como não refletia o IGPM. As finalidades deles são outras. É preciso estudar e o assunto está na hora de avançar. Com o IPCA, o reajuste é bastante alto para a tarifa", finalizou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)