Comissário da UE diz não ter certeza sobre supervalorização do euro

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 18:14 BRST
 

DAVOS, Suíça, 24 Jan (Reuters) - O euro provavelmente não está supervalorizado, mas a União Europeia precisa evitar uma guerra cambial em que sua moeda poderia sofrer e servir de obstáculo para a recuperação econômica do continente, disse o Comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn, nesta quinta-feira.

Rehn também afirmou que os países-membros da zona do euro estão trabalhando em maneiras de ajudar a Irlanda e Portugal a recuperar completamente acesso aos mercados financeiros neste ano e emergirem de programas de resgate internacional.

Em entrevista ao canal de televisão Reuters Insider no Fórum Econômico Mundial em Davos, ele foi questionado se estava preocupado com a possibilidade de que ações de outros grandes bancos centrais estejam levando a moeda europeia a se supervalorizar, o que desaceleria a saída do continente da recessão.

"Não tenho certeza se temos um euro forte demais no momento, mas certamente não queremos ver uma guerra cambial de desvalorizações competitivas que poderia ter um efeito negativo sobre o euro", disse Rehn.

"É importante que tenhamos tido uma taxa de câmbio relativamente estável graças à estabilidade do euro durante a crise, porque enquanto temos uma crise financeira e uma crise de dívida, não precisamos de uma crise de câmbio além disso", acrescentou.

O chairman dos ministros das Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, de Luxemburgo, que em breve deixará o cargo, disse neste mês que a taxa de câmbio do euro, que ganhou 10 por cento frente ao dólar desde julho passado e 20 por cento contra o iene, está "perigosamente alta".

Rehn disse que várias opções estão sob consideração para ajudar Irlanda e Portugal a voltarem aos mercados, incluindo possivelmente estender o prazo de empréstimos de resgate do fundo de resgate da zona do euro, ou fornecer uma nova linha de crédito de precaução.

Um acordo de linha de crédito serviria de base para que o Banco Central Europeu (BCE), se assim decidir, compre bônus de curto prazo para apoiar a Irlanda e Portugal, reduzindo seus custos de financiamento.

Não foi tomada nenhuma decisão ainda e a Comissão Europeia apresentará propostas em março sobre maneiras de auxiliar os dois países a saírem de pacotes de resgate da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse ele.   Continuação...