CENÁRIOS-Bancos privados querem acelerar crédito em 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 18:27 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) - Animados com sinais recentes de queda da inadimplência e com maior demanda de recursos para projetos de infraestrutura, os bancos privados iniciaram 2013 mais dispostos a emprestar, movimentação que aponta para uma expansão menos assimétrica do crédito, embora a liderança deva seguir com os estatais.

Abertamente ou de forma reservada, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil, cujas carteiras de financiamento cresceram numa velocidade anual ao redor de 10 por cento até setembro, mostram apetite para mais neste ano.

"Não vamos voltar ao patamar de 25 a 30 por cento de crescimento anual, porque o crédito já atingiu uma maturidade em relação ao PIB, mas é razoável supor um crescimento da ordem de 15 por cento este ano", disse o executivo de um grande banco comercial nesta semana.

Em encontros com investidores, executivos desses bancos têm revelado esperar que suas carteiras evoluam cerca de 15 por cento neste ano, em linha com o ritmo dos bancos públicos. Os motivos são a expectativa de maior crescimento da economia e a avaliação de que o pico dos calotes ficou para trás.

"O cenário de inadimplência está melhorando", disse à Reuters recentemente o diretor-executivo do Bradesco Octávio de Lazari Júnior, responsável pela área de empréstimos e financiamentos, no dia em que o banco anunciou um aumento de quase 20 por cento no crédito disponível para clientes.

No Itaú, o movimento vem após o banco ter passado por um freio de arrumação em 2012 na carteira de automóveis.

O presidente mundial do Santander, Emilio Botín, tornou nesta semana pública a expectativa para o banco no Brasil --de alta de cerca de 15 por cento no crédito--, após encontro com a presidente Dilma Rousseff. O banco também promete até 5 bilhões de reais para projetos de infraestrutura.

O movimento pode atenuar a pressão do governo, que há quase um ano vem apertando os bancos a ampliar a oferta de crédito para acelerar a economia, mas a cobrança só foi respondida pelos próprios bancos estatais.   Continuação...