América Latina deseja candidatura única à OMC, diz candidato mexicano

domingo, 27 de janeiro de 2013 15:10 BRST
 

SANTIAGO, 27 Jan (Reuters) - Os postulantes latino-americanos à chefia da Organização Mundial do Comércio (OMC) poderiam desistir de suas candidaturas para unir forças com o candidato da região que obtenha o maior respaldo durante o processo de seleção, disse o candidato do México ao cargo.

México, Brasil e Costa Rica apresentaram candidatos para substituir o diretor-geral da (OMC), Pascal Lamy, cujo mandato vence em 31 de agosto.

"Estamos convencidos de que, de preferência, o novo diretor-geral ou a nova diretora-geral da OMC deveria vir da América Latina", disse à Reuters Herminio Blanco, prestigioso negociador comercial mexicano que liderou as conversas para o Tratado de Livre Comércio da América del Norte (TLCAN).

"O consenso entre os três é 'deixemos que as coisas corram, quando virmos que o processo de seleção está encaminhado, que vai ter várias etapas, vejamos se é possível que todos nos juntemos por alguém, aquele que for melhor", acrescentou em uma entrevista na noite de sábado.

O Brasil postulou o nome de Roberto Azevedo, um experiente negociador que representa o país na OMC , e a Costa Rica apresentou sua ministra de Comércio Exterior, Anabel González.

Há poucas semanas, Azevedo esteve em Buenos Aires para agradecer o governo argentino pelo apoio à sua candidatura ao organismo de 157 membros. O Brasil já havia tentado um candidato em 2005, quando as divisões na América Latina sobre qual candidato apoiar fizeram as possibilidades da região naufragarem.

"Trazemos a experiência técnica e política de negociar com grandes e pequenos, que creio que são coisas importantes para tratar de resolver a Rodada de Doha", garantiu Blanco.

A Rodada Doha, lançada no final de 2001, se encontra em ponto morto pelos desacordos entre as economias desenvolvidas e as emergentes.

O Brasil, a maior economia latino-americana e acusado de protecionista pelos países ricos, é o principal sócio do Mercosul, que resiste a negociar acordos de livre comércio.

(Reportagem de Alejandro Lifschitz)