Irlanda planeja refazer proposta sobre dívida bancária

domingo, 27 de janeiro de 2013 16:33 BRST
 

DUBLIN, 27 Jan (Reuters) - A Irlanda fará mudanças na sua proposta para aliviar a carga da dívida do governo junto a bancos, disseram ministros neste domingo, acrescentando que não conseguir chegar a um acordo com o Banco Central Europeu (BCE) pode ter consequências catastróficas.

O BCE rejeitou a solução preferida da Irlanda sobre como reprogramar parte da divida bancária estatal, informou a Reuters no sábado, citando fontes do UE, familiarizadas com as discussões.

Admitindo que alguns problemas "muito difíceis" continuam pendentes, o ministro de transportes Leo Varadkar disse à emissora nacional RTE que eram necessárias mudanças na proposta da Irlanda, embora o governo tenha concordado em uma série de áreas. Ele não especificou quais devem ser estas mudanças.

"O fracasso em concluir as negociações sobre a nota promissória teria um efeito potencialmente catastrófico na Irlanda," disse o vice-primeiro-ministro Eamonn Gilmore na reunião de cúpula UE-América Latina no Chile, que contou com a presença da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente da Comissão da EU, José Manuel Barroso e do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy.

"O tempo não está a nosso favor... Os sacrifícios feitos pelos irlandeses não devem ser desperdiçados agora."

Dublin quer evitar ter que pagar uma fatura politicamente incendiária de 3,1 bilhões de euros (4,2 bilhões de dólares) por ano, até 2023, para quitar uma nota promissória emitida para segurar o falido Anglo Irish Bank e tinha proposto converter a nota em um título do governo de longo prazo.

As fontes disseram que o Conselho Diretor do BCE discutiu o plano pela primeira vez durante uma reunião na quarta e na quinta-feira e concordou que isso equivalia a um "financiamento monetário" do governo irlandês, proibido nos termos do artigo 123 do tratado da UE.

Uma fonte disse que todos os envolvidos nas negociações querem encontrar uma solução até o final de março, data do próximo pagamento. Dublin adiou o pagamento em dinheiro do ano passado de 3,1 bilhões de euros graças a um arranjo complexo, pelo qual emitiu um bônus de 13 anos.

Varadkar confirmou que a proposta da Irlanda foi discutida na semana passada e sugeriu que ela poderá ser revista mais uma vez quando o Conselho Diretor se reunir novamente daqui a duas semanas.

(Reportagem de Padraic Halpin)