28 de Janeiro de 2013 / às 09:29 / 5 anos atrás

Bradesco vê crescimento modesto em 2013; rentabilidade cai no 4o tri

Foto de arquivo de fachada do banco Bradesco, em São Paulo. Inadimplência resistente, expansão discreta do crédito e maiores despesas administrativas levaram o Bradesco a lucro pouco abaixo do esperado e menor rentabilidade no fim de 2012. 29/09/2010Nacho Doce

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 28 Jan (Reuters) - O Bradesco previu nesta segunda-feira redução de suas margens financeiras em 2013 e aumento cauteloso do crédito, depois de amargar um resultado um pouco abaixo do esperado e redução da sua rentabilidade no quarto trimestre.

O segundo maior banco privado do país indicou que irá focar na redução de custos e aumento de eficiência em 2013, para fazer frente a um cenário de inadimplência ainda elevada, juros domésticos nos menores patamares da história e atividade econômica ainda frágil.

O lucro ajustado do Bradesco no quarto trimestre ficou em 2,918 bilhões de reais, pouco abaixo da previsão média de analistas ouvidos pela Reuters de 2,950 bilhões de reais, embora tenha subido 5,3 por cento no ano a ano, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira.

O lucro líquido foi de 2,893 bilhões de reais no período, alta de 6,1 por cento ante igual etapa de 2011. No ano, o lucro somou 11,5 bilhões de reais, aumento de 2,9 por cento em relação ao apurado em 2011.

Em linha com o lucro abaixo do esperado, a rentabilidade do Bradesco --medida pelo retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio-- caiu 2,1 pontos percentuais no quarto trimestre, a 19,2 por cento.

"Nossa previsão é de que em 2013, nossa rentabilidade ficará entre 18 e 20 por cento", disse na teleconferência o diretor-executivo do Bradesco Luiz Carlos Angelotti.

O Bradesco terminou 2012 com estoque de empréstimos de 385,529 bilhões de reais, alta de apenas 11,5 por cento ante 2011 --bem abaixo do objetivo inicial, de crescimento entre 18 a 22 por cento, depois reduzido para 14 a 18 por cento. Com isso, a sua participação no crédito do sistema financeiro caiu 0,8 ponto percentual no ano, para 11,2 por cento.

Para este ano, o banco estima crescimento do crédito entre 13 e 17 por cento.

"Consideramos o nosso crescimento do crédito bastante adequado, considerando a conjuntura", disse nesta segunda-feira em teleconferência com jornalistas o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.

O resultado refletiu a maior cautela dos bancos privados, enquanto os concorrentes estatais cresceram pelo menos o dobro da velocidade, diante da pressão do governo para aumento das concessões para evitar uma desaceleração maior da economia.

O Bradesco preferiu acelerar os empréstimos para grandes empresas, a linha com menor índice de calotes. Os financiamentos para esse grupo tiveram alta de 15 por cento em 12 meses. Já a carteira de pessoa física subiu 8,2 por cento, a 117,5 bilhões de reais, atingida pela área de financiamento automotivo, que encolheu 5,7 por cento.

Ainda assim, o banco não melhorou a qualidade da carteira. Seu índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, ficou em 4,1 por cento no quarto trimestre, estável em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas 0,2 ponto percentual maior que em dezembro de 2011. Angelotti disse, sem entrar em detalhes, que o banco prevê queda gradual da inadimplência nos próximos trimestres.

As despesas com provisões para perdas com crédito de baixa qualidade cresceram 20,6 por cento no último trimestre de 2012 ante o mesmo período de 2011, embora tenham caído 2,8 por cento ante o terceiro trimestre, para 3,21 bilhões de reais.

Essa pressão foi compensada em parte pelo aumento de 14,4 por cento das receitas com prestação de serviços de outubro a dezembro sobre um ano antes, para 4,68 bilhões de reais, ajudando o índice de eficiência operacional a melhorar 1,5 ponto percentual, a 41,5 por cento.

Além disso, o braço de seguros deu um salto de 15,2 por cento no lucro, na passagem do terceiro para o quarto trimestre, impulsionado por um avanço de 30,8 por cento nas receitas.

Para analistas do UBS, os números do Bradesco confirmaram a tendência de os bancos no Brasil ficarem cada vez mais pressionados, num cenário de taxa básica e de spread bancário nas mínimas recordes no país. Um exemplo citado por especialistas nesse sentido foi a queda de 0,3 ponto percentual na margem financeira líquida de juros do Bradesco, na comparação anual, para 7,3 por cento.

Os próprios executivos do banco previram que esse indicador deve continuar caindo ao longo de 2013, para cerca de 7 por cento.

Os analistas do UBS mantiveram recomendação "neutra" para as ações do Bradesco, afirmando ter "previsões mais conservadoras" do que as feitas pelo próprio banco. Os analistas previram, por exemplo, alta de 13,9 por cento da carteira de crédito, praticamente no piso da faixa estimada pelo Bradesco para o ano.

Às 16h42, a ação do Bradesco negociada na bolsa paulista caía 3,18 por cento, a 36,55 reais. No mesmo instante, o Ibovespa recuava 1,78 por cento.

Os ativos totais do banco fecharam o ano totalizando 879,1 bilhões de reais, crescimento de 15,4 por cento sobre dezembro de 2011. O índice de Basileia estava em 16,1 por cento no fim de 2012, aumento de 1 ponto percentual sobre dezembro do ano anterior.

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