Inadimplência assombra bancos espanhóis após limpeza de ativos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 15:42 BRST
 

Por Sarah White e Jesús Aguado

MADRI/BARCELONA, 1 Fev (Reuters) - Bancos espanhóis enfrentam uma alta em empréstimos ruins em uma profunda recessão que não dá sinais de melhoras, após terem atravessado a pior fase de uma profunda limpeza de ativos imobiliários podres que prejudicou seus lucros no ano passado.

O BBVA, segundo maior banco da Espanha, e o Caixabank registraram ambos acentuadas quedas no lucro em 2012 nesta sexta-feira, enquanto o Popular teve o pior prejuízo anual em sua história.

Todos viram aumento na inadimplência à medida que negócios e famílias enfrentaram dificuldades para quitar dívida num país em que um a cada quatro trabalhadores está desempregado.

O governo implementou uma limpeza de bancos espanhóis após a explosão de uma bolha imobiliária em 2008, levando-os a fazer baixa contábil de bilhões de euros sobre o valor de empréstimos a desenvolvedores imobiliários e propriedades sob liquidação hipotecária.

O processo está chegando ao fim e os resultados de bancos devem melhorar à medida que as provisões para crédito de liquidação duvidosa recuam neste ano.

Mas a inadimplência, que recentemente atingiu uma nova máxima em novembro de 11,4 por cento do portfólio de crédito dos bancos, vai exercer peso.

"A inadimplência continuará a crescer neste ano, não seria realista acreditar no contrário", disse o presidente do Conselho do Banco Popular, Angel Ron, que registrou prejuízo de 2,46 bilhões de dólares em 2012, levemente mais alto do que previam analistas.

O BBVA afirmou que a inadimplência cresceu para 6,9 por cento de sua carteira no fim de dezembro, contra 4,8 por cento no ano anterior. O banco perdeu mais de 1 bilhão de euros (1,4 bilhão de dólares) em operações espanholas no ano passado.

O lucro anual total do BBVA caiu 44 por cento, para 1,67 bilhão de euros, em linha com estimativas de analistas, ajudado pelas operações na América Latina.

O Caixabank teve queda de 78 por cento no lucro, a 230 milhões de euros.