7 de Fevereiro de 2013 / às 19:25 / em 5 anos

DIs disparam e sugerem alta da Selic este ano

Por Natalia Cacioli

SÃO PAULO, 7 Fev (Reuters) - Os contratos de juros futuros encerraram em forte alta nesta quinta-feira, refletindo declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que sinalizaram a possibilidade de que a Selic seja elevada em meados deste ano caso a inflação continue persistente.

A curva de juros já precifica um aumento da taxa básica de juros da ordem de 0,50 ponto percentual a partir de agosto, apesar de a maior parte dos economistas ainda prever manutenção da política monetária ao longo do ano.

Até o final de 2013, a Selic poderia subir 1 ponto percentual em relação à atual mínima histórica de 7,25 por cento, segundo apostas embutidas no mercado de juros.

“O BC mudou o discurso. Ele está explicitando uma preocupação maior com a inflação, o que pode antecipar o início do aperto monetário”, afirmou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Às 16h30, o DI para janeiro de 2014 era negociado a 7,44 por cento, ante 7,35 por cento no ajuste anterior, enquanto o contrato para janeiro de 2015 registrava 8,19 por cento, frente a 8,09 por cento anteriormente.

O contrato para janeiro de 2017 era negociado a 9,09 por cento, contra 9,02 por cento no ajuste anterior.

Os juros futuros abriram em alta nesta quinta-feira após a divulgação dos dados da inflação oficial do país, que acelerou para 0,86 por cento em janeiro, após o avanço de 0,79 por cento em dezembro. Em 12 meses, a alta acumulada é de 6,15 por cento -- próxima ao teto da meta do governo, de 6,5 por cento.

O movimento se acentuou depois que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em entrevista à jornalista Miriam Leitão que “a inflação nos preocupa no curto prazo” e que o BC está atento aos índices de preços para decidir uma possível alteração na política monetária.

Mais tarde, uma fonte da diretoria do BC afirmou à Reuters que a inflação continuará ligeiramente acima de 6 por cento durante o primeiro semestre, mas deve perder fôlego na segunda metade do ano.

A preocupação com a inflação e com questões fiscais tem elevado substancialmente os DIs desde a divulgação da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

No documento, o BC reconheceu a piora do cenário para os preços mas sustentou que trabalha para a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento no momento adequado.

Apesar do cenário inflacionário adverso, analistas ainda acreditavam que medidas macroprudenciais como desonerações, além de uma taxa de câmbio mais estável, poderiam ajudar a conter a inflação sem uma mudança da política monetária.

As declarações de Tombini, no entanto, sinalizam que a autoridade monetária está pronta para agir caso a situação se deteriore.

“O governo já não cumpriu a sua parte e não entregou um superávit cheio, então agora o BC pode sim usar os juros como ferramenta para segurar a inflação”, disse Petrassi.

Embora os DIs tenham devolvido parte da forte alta vista logo após os comentários de Tombini, Petrassi acredita que o movimento não é pontual, mas que evidencia uma mudança de postura tanto do BC como do mercado.

“O movimento é racional”, disse o sócio-gestor.

Reportagem adicional de Silvio Cascione

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