Ações do setor de celulose caem; China abre investigação

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 18:53 BRST
 

SÃO PAULO, 7 Fev (Reuters) - As ações das principais fabricantes brasileiras de celulose fecharam em baixa nesta quinta-feira, com o mercado em alerta após a notícia de que a China abriu uma investigação sobre possível prática de dumping no setor.

A ação da Fibria caiu 3,26 por cento, a 24,35 reais, enquanto a da Suzano recuou 5,42 por cento, a 6,80 reais. O Ibovespa caiu 0,98 por cento.

Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, esta é a primeira investigação que a China abre contra empresas brasileiras. A investigação aberta também considera produtoras de celulose dos Estados Unidos e do Canadá.

Caso seja constatado que realmente houve a prática de dumping -- a venda do produto a preços baixos por um determinado tempo com o objetivo de enfraquecer fabricantes nacionais e ganhar mercado no país -- a China poderá aplicar alíquotas anti-dumping sobre as exportações dessas empresas ao país.

Segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), a ação considera apenas a celulose solúvel e apenas um produtor brasileiro do insumo produz esse tipo, a Bahia Specialty Cellulose (BSC).

"A Associação foi notificada da abertura do processo pela embaixada do Brasil na China. Como a ação é para uma empresa específica, a entidade acompanhará o processo assessorando a BSC no que for necessário. O posicionamento sobre o caso em si será da alçada da empresa", afirmou a presidente da Bracelpa, Elizabeth Carvalhaes, em nota.

"Na avaliação da Bracelpa, por uma série de fatores, não há motivos para a China questionar as exportações brasileiras de celulose destinada à fabricação de papel. O fator determinante é que a celulose é considerada uma commodity internacional, cuja precificação é estabelecida pelo mercado mundial", completou.

Procurada, a Fibria também ressaltou que a investigação é contra celulose solúvel e não celulose de eucalipto, que é a produzida e exportada pela empresa.

A Suzano não quis se pronunciar. (Por Roberta Vilas Boas, edição de Aluísio Alves)