Acordo entre JBS e Bertin poderá sofrer restrições--especialistas

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013 15:43 BRST
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 14 Fev (Reuters) - A compra do Bertin pela JBS, operação que ajudou a transformar o frigorífico da família Batista na maior produtora de carne bovina do mundo, provavelmente será aprovada pelo órgão antitruste, mas com restrições às atividades de abate e carnes in natura em alguns Estados, segundo especialistas.

A operação, em análise pelo Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (Cade) desde 2009, quando a associação com a Bertin foi anunciada, foi o pontapé inicial de uma série de aquisições que deram à JBS participação majoritária em alguns Estados.

As restrições se dariam justamente nas regiões onde a JBS tem possibilidade de exercer poder de mercado, seja pela concentração de abate de bovinos ou no mercado de carne in natura, disseram especialistas, que preferiram ficar no anonimato.

Após comprar o Bertin, uma escalada de compras e arrendamentos pela JBS, especialmente no ano passado, motivou o Cade a recomendar uma análise conjunta dos processos de atos de concentração de todas as operações, segundo apontaram dois pareceres da superintendência-geral do órgão divulgados na noite de quarta-feira.

A partir da recomendação desses dois pareceres, o órgão pode fazer a redistribuição dos casos por conexão, ou seja, organizando em apenas um conselheiro relator todos os processos que envolvem operações de ato de concentração da JBS, segundo informou a assessoria do Cade.

A intenção do Cade é fazer esta redistribuição em nova sessão de distribuição, que deve acontecer na próxima quarta-feira, acrescentou a assessoria.

A JBS não comentou imediatamente as informações.

As ações da empresa operavam em leve alta de 0,14 por cento às 15h32, enquanto o Ibovespa caía 0,3 por cento.   Continuação...