Trigo volta a ser competitivo frente ao milho no Sul--Cepea

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 18:26 BRT
 

SÃO PAULO, 18 Fev (Reuters) - Depois de perder espaço para o milho, o trigo voltou a ser economicamente competitivo em importantes áreas produtoras do Sul do Brasil, informou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta segunda-feira.

Segundo as pesquisas do Cepea com base na região norte do Paraná e em Passo Fundo (RS), o trigo proporcionaria remuneração suficiente para o produtor optar por plantar o cereal na safra de inverno, em vez de realizar o plantio da segunda safra de milho.

Em Passo Fundo, considerando-se a produtividade de 52 sacas de trigo por hectare, o custo operacional (que representa todos os desembolsos da safra) deste cereal seria de 26,57 reais por saca, o que proporcionaria rentabilidade de 17,3 por cento sobre o preço médio observado nos últimos três meses (novembro a janeiro), de 31,17 reais por saca.

Na região norte do Paraná, com produtividade média de 41,32 sacas por hectare, o custo operacional do trigo seria de 25,89 reais por saca. Tomando-se como base o preço médio de 35,86 reais por saca, a rentabilidade do trigo nessa praça seria de 38,5 por cento.

Além da competitividade identificada nos cálculos do Cepea, as cotações do trigo no mercado de balcão, em alta, ante as do milho, enfraquecidas com a entrada da safra verão, deixariam a competitividade do cereal ainda maior.

Uma quebra da safra de trigo do país elevou os preços da commodity e apertou as margens da indústria, disse o instituto.

Com uma quebra de safra no Brasil, o Cepea relatou a necessidade de importação de cerca de 2 milhões de toneladas a mais do que em anos anteriores.

As importações adicionais viriam sobretudo de países de fora do Mercosul, já que a Argentina também produziu menos, o que fez com que o governo brasileiro aprovasse em fevereiro isenção de tarifa de importação para um volume de 1 milhão de toneladas de trigo de fora do Mercosul.

"O pedido original de compradores era para a liberação da TEC (tarifa externa comum) para 2,5 milhões de toneladas. Contudo, o governo levou em consideração o impacto dessa medida no campo e tentou preservar o produtor que planejou o cultivo do cereal. Além disso, a Conab ainda possui cerca de meio milhão de toneladas para ofertar no mercado interno e, no Paraná", disse Lucilio Rogerio Alves, pesquisador do Cepea.   Continuação...