19 de Fevereiro de 2013 / às 17:22 / 5 anos atrás

Premiê russo busca acordos de armas e tecnologia nuclear em visita ao Brasil

Premiê russo, Dmitry Medvedev, gesticulo durante reunião na Residência Gorki nos arredores de Moscou, Rússia. Medvedev espera fechar acordos na área de defesa e tecnologia nuclear com o Brasil nesta semana, durante uma viagem destinada a consolidar as relações entre dois países do Brics, que têm uma população combinada de 330 milhões de pessoas. 05/02/2013 REUTERS/Alexander Astafyev/RIA Novosti/Pool

MOSCOU, 19 Fev (Reuters) - O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, espera fechar acordos na área de defesa e tecnologia nuclear com o Brasil nesta semana, durante uma viagem destinada a consolidar as relações entre dois países do Brics, que têm uma população combinada de 330 milhões de pessoas.

A visita de Medvedev ao Brasil, nesta quarta-feira, se segue a uma viagem feita pela presidente Dilma Rousseff a Moscou em dezembro do ano passado, que ressaltou a importância que ambos os países atribuem à construção de relações entre o grupo de economias emergentes.

Os países do Brics --Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul-- somam um PIB de 14,9 trilhões de dólares e tornaram-se cada vez mais ativos em suas críticas contra a preponderância das nações desenvolvidas na economia mundial.

Os laços entre Brasil e Rússia têm sido reforçadas e os países pretendem aumentar o volume de negócios do comércio anual a 10 bilhões de dólares dos atuais 6,5 bilhões de dólares, em parte por mudar para moedas nacionais as transações bilaterais.

O governo russo vai destacar sua experiência no setor de energia e tecnologia, segundo um alto funcionário da delegação russa, uma vez que o Brasil pretende construir várias usinas nucleares até 2030, além da já existente Angra 1, que representa 3 por cento do total da eletricidade gerada no país.

“Nós gostaríamos de oferecer a nossa participação na construção de usinas nucleares e gostaria de receber um convite para participar da (próxima) oferta”, disse o funcionário.

Ele disse ainda que a Rússia poderia realizar o treinamento da equipe nuclear do Brasil, projetar reatores de pesquisa e suprimentos de combustível nuclear para as usinas futuras entre outras opções que estariam sobre a mesa.

Medvedev também vai tentar promover a venda de sistemas russos de mísseis antiaéreos para o Brasil, incluindo mísseis Pantsir S1 combinados e sistema de artilharia e Igla-S portáteis mísseis antiaéreos.

“Já assinamos um protocolo comercial no fornecimento do Igla-S, que também prevê a possibilidade de produção sob licença, mas as negociações estão em andamento”, disse o funcionário. “O lançamento da produção com licença pode levar algum tempo, mas expressaram interesse em importar o Igla-S.”

A visita permitirá à Rússia, segundo maior país exportador do mundo, aproximar-se de um negócio de armas final, largamente visto como uma entrada simbólica no mercado de armas da América do Sul, depois que a Rússia perdeu alguns contratos importantes, como resultado dos levantes da Primavera Árabe no Oriente Médio e África.

Medvedev também vai discutir o possível aumento do fornecimento de carne brasileira para a Rússia, seu maior comprador, disse o funcionário russo, mas as autoridades sanitárias de Moscou vão querer se certificar que os padrões são compatíveis todas as exigências necessárias.

“O lado brasileiro demonstra interesse em aumentar a oferta de carne para a Rússia e estamos prontos para essa cooperação”, disse a fonte. “Mas isso não diminui a importância dos mecanismos (sanitários) de controle, que estão em vigor não só na Rússia.”

A Rússia disse no ano passado que seria improvável proibir as importações de carne bovina do Brasil devido ao caso suspeito de encefalite espongiforme bovina atípica.

O premiê russo também visitará Cuba, um ex-aliado da época da Guerra Fria, onde o governo espera assinar acordos na áreas de medicina, espacial e de aviação, incluindo possivelmente de fornecimento à Havana de três jatos ucraniano-russos Antonov-158.

Rússia e Cuba mantiveram um volume de comércio de cerca de 200 milhões de dólares ano passado.

Reportagem de Alexei Anishchuk

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