Premiê russo busca acordos de armas e tecnologia nuclear em visita ao Brasil
MOSCOU, 19 Fev (Reuters) - O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, espera fechar acordos na área de defesa e tecnologia nuclear com o Brasil nesta semana, durante uma viagem destinada a consolidar as relações entre dois países do Brics, que têm uma população combinada de 330 milhões de pessoas.
A visita de Medvedev ao Brasil, nesta quarta-feira, se segue a uma viagem feita pela presidente Dilma Rousseff a Moscou em dezembro do ano passado, que ressaltou a importância que ambos os países atribuem à construção de relações entre o grupo de economias emergentes.
Os países do Brics --Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul-- somam um PIB de 14,9 trilhões de dólares e tornaram-se cada vez mais ativos em suas críticas contra a preponderância das nações desenvolvidas na economia mundial.
Os laços entre Brasil e Rússia têm sido reforçadas e os países pretendem aumentar o volume de negócios do comércio anual a 10 bilhões de dólares dos atuais 6,5 bilhões de dólares, em parte por mudar para moedas nacionais as transações bilaterais.
O governo russo vai destacar sua experiência no setor de energia e tecnologia, segundo um alto funcionário da delegação russa, uma vez que o Brasil pretende construir várias usinas nucleares até 2030, além da já existente Angra 1, que representa 3 por cento do total da eletricidade gerada no país.
"Nós gostaríamos de oferecer a nossa participação na construção de usinas nucleares e gostaria de receber um convite para participar da (próxima) oferta", disse o funcionário.
Ele disse ainda que a Rússia poderia realizar o treinamento da equipe nuclear do Brasil, projetar reatores de pesquisa e suprimentos de combustível nuclear para as usinas futuras entre outras opções que estariam sobre a mesa.
Medvedev também vai tentar promover a venda de sistemas russos de mísseis antiaéreos para o Brasil, incluindo mísseis Pantsir S1 combinados e sistema de artilharia e Igla-S portáteis mísseis antiaéreos.
"Já assinamos um protocolo comercial no fornecimento do Igla-S, que também prevê a possibilidade de produção sob licença, mas as negociações estão em andamento", disse o funcionário. "O lançamento da produção com licença pode levar algum tempo, mas expressaram interesse em importar o Igla-S." Continuação...

