Chipre vota para presidente e teme novas medidas de austeridade

domingo, 24 de fevereiro de 2013 11:52 BRT
 

NICÓSIA, 24 Fev (Reuters) - Os cipriotas votaram neste domingo, em um segundo turno, para eleger um presidente que terá de fechar um acordo de resgate financeiro para evitar que a ilha mergulhe em um colapso financeiro que iria reviver a crise da dívida da zona do euro.

As pesquisas indicam vitória do líder conservador Nicos Anastasiades, favorável a um rápido acordo com os credores estrangeiros, que disputa o segundo turno da eleição presidencial com Stavros Malas, apoiado pelos comunistas e com uma plataforma política mais cautelosa em relação aos termos do pacote de austeridade que acompanha qualquer resgate.

Os mercados financeiros desejam a vitória de Anastasiades para acelerar a concessão do pacote conjunto de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, antes que a ilha fique sem dinheiro e ponha a perder a frágil confiança que retornou à zona do euro.

Anastasiades, um advogado de 66 anos, levou mais de 45 por cento dos votos no primeiro turno na parte grega de Chipre, enquanto Malas, geneticista de 45 anos, obteve 27 por cento.

A ilha de Chipre é dividida em duas partes: a parte sul, de idioma grego, é integrante da União Europeia, e a porção norte, de idioma turco, não faz parte do bloco.

Cerca de 500 mil cipriotas estão aptos a votar, mas muitos devem abster-se ou votar em branco, em protesto. Ambos os candidatos têm implorado aos cipriotas que não se esquivem de seu dever

O vencedor vai tomar as rédeas de uma nação mediterrânea devastada por sua pior crise econômica em quatro décadas, com o desemprego no nível recorde de 15 por cento.

"Nós temos de escolher entre o menor de dois males", disse Georgia Xenophondos, uma recepcionista de 23 anos de idade, que votou em um candidato em terceiro lugar no primeiro turno. Ela agora pretende votar no conservador, mas teme novas medidas de austeridade.

A antiga disputa pela divisão da ilha entre a população de idioma grego e turco, a qual já dura 40 anos, foi relegada a um distante segundo plano por causa da crise financeira do país.

(Por Michele Kambas e Deepa Babington)