26 de Fevereiro de 2013 / às 16:48 / 5 anos atrás

Ações e bônus italianos caem em meio a temores políticos

Por Lisa Jucca e Francesca Landini

MILÃO, 26 Fev (Reuters) - As ações italianas e os bônus do governo caíram fortemente nesta terça-feira, depois que uma eleição parlamentar deixou a Itália diante de um impasse político e reacendeu temores de uma nova crise da dívida da zona euro.

As ações no principal índice do mercado de ações italiano caíram quase 5 por cento, derrubadas por perdas de 8 a 9 por cento em bancos como o Intesa Sanpaolo e o UniCredit, grandes detentores da dívida estatal italiana de 2 trilhões de euros (2,6 trilhões de dólares).

O órgão regulador interveio para frear a volatilidade ao proibir a venda a descoberto de ações da Intesa e do banco Carige por dois dias.

O prêmio que o governo italiano paga em comparação com a Alemanha para emprestar por 10 anos subiu a um nível não visto em dois meses e meio, atingindo um spread de 348 pontos básicos no início do pregão, contra 283 no fechamento oficial do mercado italiano na segunda-feira.

“(A) eleição italiana é o principal evento político para a zona do euro este ano, e produziu um governo dividido em um resultado negativo para a estabilidade política”, afirmaram analistas do Citi, em nota a clientes.

“O alto grau de incerteza política que deve persistir no próximo período provavelmente vai ter um impacto negativo sobre as decisões de investimento reais e financeiras na Itália.”

Em um leilão de títulos de seis meses nesta terça-feira, o Tesouro italiano teve de pagar um rendimento de 1,24 por cento na venda, 50 pontos básicos a mais que na última venda semelhante em janeiro.

“Obviamente, tudo saltou por causa da incerteza política sobre se eles terão que realizar eleições novamente ou se serão capazes de formar uma espécie de grande coalizão”, disse Lyn Graham-Taylor, estrategista de juro do Rabobank em Londres.

GRANDE OBSTÁCULO

Roma vai enfrentar um desafio na quarta-feira, quando oferece ao mercado até 6,5 bilhões de euros em bônus de 5 anos e 10 anos.

Nenhum deles é coberto pelo sistema de segurança de três anos que o Banco Central Europeu daria através de seu programa de compra de bônus se a Itália fosse forçada a pedir ajuda internacional e os analistas esperam que os investidores estrangeiros fiquem fora.

A eleição italiana, que resultou em maioria da centro-esquerda na Câmara Baixa, mas nenhum controle claro a nenhum partido no Senado, derrubou outros importantes mercados na zona do euro, como Paris e Frankfurt, além de levar o euro à mínima em sete semanas frente ao dólar.

Operadores e analistas disseram que o Parlamento dividido e o aumento expressivo do que eles veem como um voto anti-austeridade incorporado pela ascensão meteórica do Movimento 5-Estrelas do comediante Beppe Grillo e pelo sucesso do bloco conservador de Silvio Berlusconi foi “o pior resultado possível” para os mercados.

Analistas não veem nenhuma solução rápida para a Itália, a terceira maior economia da zona do euro, que está afundada em recessão.

“O resumo é que a instabilidade política provavelmente deve prevalecer no curto prazo e retardar a implantação de reformas estruturais muito necessárias, a menos que uma grande coalizão entre o Partido Democrata de centro-esquerda, Berlusconi e os centristas seja formada”, disse o economista do Barclays Fabio Fois.

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