21 de Junho de 2013 / às 22:36 / 4 anos atrás

Alta do dólar anula reajuste da Petrobras; importação fica mais cara

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) - A disparada do dólar neutralizou os reajustes de combustíveis realizados pela Petrobras neste ano, à medida em que as importações ficam mais caras, o que pode colaborar para aumentar os problemas da área de Abastecimento da estatal, segundo especialistas.

A defasagem atual entre preços domésticos de combustíveis e os internacionais está maior em relação à verificada imediatamente após o último aumento do diesel, informou o Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) nesta sexta-feira.

Apesar da queda recente dos preços de petróleo e derivados no mercado internacional, gasolina e diesel estão 20 e 16,6 por cento mais baratos nas refinarias do Brasil em relação aos valores praticados no mercado norte-americano, calculou o Cbie.

Logo após o último reajuste, no começo de março, a diferença entre o valor da gasolina e do diesel --entre o Brasil e os EUA-- era de 16,5 e 14 por cento, respectivamente, segundo a mesma consultoria.

O diesel foi reajustado duas vezes este ano --com altas de 6,6 por cento em janeiro e 5 por cento em março--, enquanto a gasolina teve uma alta de 5,4 por cento janeiro.

"Os reajustes já foram anulados pela alta do dólar", afirmou o sócio-diretor do Cbie, Adriano Pires.

A cotação do dólar ante o real subiu 4,7 por cento em junho e acumula alta de cerca de 10 por cento no segundo trimestre.

No primeiro trimestre do ano, o prejuízo na área de abastecimento havia caído 7 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado, com os reajustes dos combustíveis dando colaboração importante para a redução das perdas, que ainda foram de mais de 4 bilhões de reais nos primeiros três meses de 2013.

Com a anulação do efeito positivo do reajuste, essa situação pode mudar nos próximos meses.

Nesta sexta-feira, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, comentou que os efeitos da alta do dólar poderão ser mais bem avaliados ao final do mês, mas mencionou que o câmbio teve uma variação "abrupta".

"A Petrobras tem dívida em dólar. A indústria de petróleo é dolarizada. A Petrobras tem custos em dólar, então é preciso esperar o último dia útil de junho", declarou ela em um evento ao ser questionada sobre o impacto para os resultados da empresa.

IMPORTAÇÕES CRESCENTES

O crescimento expressivo na demanda por derivados no país, levando a estatal a uma queda expressiva das exportações e a um aumento igualmente acelerado das importações neste ano, também é fator a ser considerado.

"A Petrobras, claro, não gostou nada disso (aumento do dólar); ela ganha um pouco mais na exportação e perde um poucão na importação", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Exportadores (AEB), José Augusto de Castro.

De acordo com a AEB, a exportação da Petrobras, de janeiro até maio de 2013, somou 4,943 bilhões de dólares, contra 10,118 no mesmo período de 2012. Já suas importações Petrobras no mesmo período somaram 18,247 bilhões de dólares, contra 14,262 bilhões no mesmo período de 2012.

Apesar do impacto negativo do câmbio sobre as importações, seus efeitos também são limitados porque as vendas de gasolina e diesel, em reais, representam 40 por cento do total da receita da petroleira, ponderou o analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, em relatório ao mercado.

Com a maior parte da receita em dólar, a Petrobras, que também é importante exportadora, beneficia-se um pouco com a alta da moeda americana.

Entretanto, a Petrobras provavelmente sentirá outros efeitos da recente desvalorização real, uma vez que tem dívida e custos em dólar.

Em evento no início de junho, a presidente da estatal afirmou que o câmbio "como está não é bom para a Petrobras", citando a questão da dívida e os custos.

Cerca de três quartos da dívida da Petrobras estão em moeda estrangeira, com a maior parte sendo atrelada ao dólar.

Por Sabrina Lorenzi, com reportagem adicional de Roberta Vilas Boas, em São Paulo; edição de Roberto Samora

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