Europa enfrenta impasse sobre quem paga custos de colapsos de bancos

sábado, 22 de junho de 2013 12:00 BRT
 

Por John O'Donnell e Robin Emmott e Ingrid Melander

LUXEMBURGO, 22 Jun (Reuters) - A Europa não chegou a um acordo sobre a forma de compartilhar os custos de colapsos bancários, no sábado, enquanto a Alemanha resistiu às tentativas da França de enfraquecer a força das regras destinadas a poupar os contribuintes em futuras crises.

Quase 20 horas de negociação, que se estenderam até tarde da noite, não conseguiram encontrar um caminho para que os países constituam uma norma que abranja toda a União Europeia, que primeiro impõe perdas aos acionistas e portadores de títulos quando um banco vai a falência, em seguida aos depositantes com mais de 100 mil euros (132 mil dólares).

Ministros farão uma nova tentativa de sair do impasse em uma reunião na quarta-feira, na véspera de uma cúpula com líderes da UE, e resolver uma das questões mais difíceis provocadas pela crise bancária de Europa, como fechar bancos falidos sem gerar pânico ou sobrecarregar os contribuintes.

"Acho que podemos chegar a um acordo se tivermos mais alguns dias", disse Michel Barnier, o comissário europeu responsável pela regulamentação. "Não estamos longe de um acordo político, agora".

A UE gastou o equivalente a um terço do seu PIB para salvar seus bancos, entre 2008 e 2011, usando o dinheiro do contribuinte, mas lutando para conter a crise e, no caso da Irlanda, a quase falência do país.

O ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, culpou a complexidade da questão e interesses conflitantes para o fato de não terem sido capazes de chegar a um resultado final no sábado. Uma autoridade da UE, que pediu para não ser identificada, descreveu a reunião como caótica.

No centro da discórdia, principalmente entre Alemanha e França, estava a questão de quanta margem de manobra os países devem ter, ao impor perdas sobre os detentores de bônus ou grandes poupadores, um procedimento conhecido como "bail-in".

Esse tipo de abordagem foi testada pela primeira vez no resgate de Chipre, em março, mas, transformá-lo em regra da UE, marcaria uma mudança radical na gestão de crises do bloco, já que são atualmente os contribuintes que pagam a conta de uma série de programas de resgate.   Continuação...