24 de Junho de 2013 / às 14:53 / 4 anos atrás

Aumento da tarifa da Copel está suspenso; mercado vê risco político

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 24 Jun (Reuters) - A estatal Copel pediu a suspensão do aumento do tarifa de distribuição de energia aprovado ao órgão regulador do setor elétrico, que atendeu ao pedido da distribuidora, levando a ação da empresa a cair nesta segunda-feira com investidores vendo aumento do risco político.

"Registramos que estamos concluindo as análises internas para identificarmos a melhor forma de aplicação do diferimento, de modo que não traga prejuízo à saúde financeira da empresa, e apresentaremos oportunamente à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) o pleito definitivo relativo ao diferimento", informou a Copel em comunicado nesta segunda-feira.

A Aneel concedeu o efeito suspensivo do reajuste tarifário, após pedido da Copel, até que o recurso seja analisado e deliberado em reunião da diretoria. A suspensão foi autorizada por despacho publicado no Diário Oficial da União nesta segunda-feira.

Não ficou claro o que a Copel pediu no recurso enviado à Aneel, e as assessorias de imprensa da agência e da empresa não puderam dar mais detalhes imediatamente.

A suspensão ocorre depois que o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse no fim da semana passada que falaria com a diretoria da Copel sobre a suspensão do aumento médio de 14,61 por cento nas tarifas de energia dos consumidores atendidos pela empresa. O aumento deveria ser aplicado a partir desta segunda-feira.

O governo do Estado do Paraná é o acionista controlador da Copel.

Às 11h43, a ação da Copel caía quase 6 por cento, a 24,70 reais, diante de preocupações dos investidores de que a empresa não aplique o reajuste tarifário e vendo retorno do risco político na administração da companhia. O Ibovespa perdia 2,71 por cento.

Na sexta-feira, após as declarações de Richa, o papel da Copel desabou quase 17 por cento.

"O investidor já está vendo risco político, ao estilo do que ocorria na época do Requião", disse o analista Alexandre Furtado Montes, da consultoria Lopes Filho, referindo-se ao ex-governador do Paraná Roberto Requião (PMDB).

Durante sua gestão, Requião impediu a Copel de aplicar aumentos na tarifa da empresa autorizados pela Aneel em mais de uma ocasião.

"É muito ruim o que aconteceu, porque antes do Beto Richa assumir havia esperança muito grande que a Copel seria uma nova Cemig (estatal mineira de energia)... E levaram tempo para convencer o mercado", disse Montes, que tem recomendação de "manter" para os papéis da Copel, ainda sem perspectiva de alteração.

O reajuste tarifário é positivo para a Copel já que contribui para repor o caixa, que foi especialmente afetado pelo custo da energia elétrica comprada pela empresa. Somente esse item teve um impacto de oito pontos porcentuais no reajuste da empresa, segundo explicou o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, na semana passada.

O preço da energia ainda subiu em parte pela valorização do dólar, que reflete diretamente no custo da energia da usina binacional de Itaipu.

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